Mostrar mensagens com a etiqueta Aparências. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aparências. Mostrar todas as mensagens

julho 13, 2016

05. Teste Positivo

Capítulo anterior, aqui.

05. Teste Positivo

Tinha passado uma semana desde que os meus pais biológicos se tinham ido embora, o Isaac e a Arya estavam novamente a viver um amor em pleno e eu e a Mirna continuávamos completamente apaixonados.
Numa manhã solarenga acordei com a Mirna sentada em cima de mim a beijar-me o peito, achei-a muito atraente na sua lingerie preta, imediatamente comecei a ficar excitado, ela riu-se mas disse que tinha algo muito sério para me contar.
- Não sei bem como começar ... Eu ... bem ... - Estava nervosa e começou-se a rir. Puxei-me para cima ficando sentado na cama com ela sobre mim, a curiosidade inundava-me. - Nós ... Tenho andado um pouco indisposta e ... - Interroguei-me como não reparara.
- Estás bem? O que se passa? Estou a ficar preocupado! - Disse-lhe. Ela calou-me com um beijo e depois mostrou-me a mão que tinha atrás das costas com um teste de gravidez. - É o que eu estou a pensar? - Perguntei muito sério, ela foi apanhada de surpresa e o sorriso desapareceu.
- Sim, eu estou grávida ... - Fez uma pequena pausa e depois prosseguiu. - Mas se não quiseres ter esta criança eu entendo, eu posso sempre ... - Desta vez fui eu que a calei com um beijo, não esperava obviamente ser pai tão cedo mas sendo ela a mulher da minha vida estava muito feliz.
- Vamos ser pais! - Abracei-a. - Amo-te! - Começou a chorar emocionada, limpei-lhe as lágrimas.
Apesar de me apetecer ir festejar com ela, já estava atrasada para o emprego, vestiu-se e saiu. Imediatamente liguei ao Isaac para ir lá a casa, queria ter uma conversa com ele, ainda tentou saber qual era o motivo mas eu preferi contar-lhe pessoalmente.
Enquanto não chegava, tomei um banho, vesti-me e tomei o pequeno-almoço, depois bateu à porta, quando a fui abrir ele ficou a olhar para mim de uma forma diferente, disse-me que nunca me tinha visto com um sorriso tão grande, de seguida contei-lhe o meu plano, pedir a Mirna em casamento, ele ficou de boca aberta, não esperava aquilo mas apoiou-me. 
Quis logo ir a uma loja escolher um anel, como tinha tempo fez-me companhia, depois de ver-mos a loja toda escolhi o certo, ele também gostou, tinha um diamante central, o aro era cravejado com pequenos diamantes e a sua linha era inspirada no símbolo do infinito, perfeito para a nossa eternidade.
Depois da compra efetuada fui até ao teatro onde ia ocorrer o bailado para assinar o contrato, conversei com o diretor e fiquei a saber que os ensaios iriam começar no inicio da próxima semana quando tivesse tudo organizado.
Quando regressei a casa surpreendi-me ao ver a Mirna ali, tinha saído mais cedo, depois de um abraço comovido surgiu-lhe a ideia de fazer um jantar para anunciar a gravidez, perguntei-lhe se não queria esperar mais um pouco mas ela convenceu-me a contar só aos nossos irmãos. Em conjunto decidimos convidá-los para padrinhos durante a refeição.
Há noite, logo após eles chegarem a Mirna fez uma grande cerimónia pedindo para nos sentarmos no sofá, a Arya tinha uma expressão cansada mas estava feliz com o Isaac, este felizmente entrou num programa intensivo de combate à droga que tinha feito maravilhas, ele tinha voltado a ser o mesmo.
- Temos uma noticia para vocês! - Disse com um sorriso estampado no rosto.
- Não me digas que estás no.... - Interrompi o meu irmão com uma cotovelada porque se ia descaindo.
- Que estou o quê? - Questionou ela intrigada.
- Que ... Que ... Que bem, que estás ... - Estava completamente atrapalhado, levantei-me para mudar as atenções.
- Bem, nós ... - Fiz uma pausa dramática e olhei para a Mirna.
- Vamos ser pais! - Dissemos em conjunto.
O espanto na cara deles foi enorme, nenhum estava a contar com aquilo, a Arya levantou-se rapidamente, deu um abraço à irmã e depois só lhe deu os parabéns mas que o plano era elas ficarem grávidas ao mesmo tempo, para os primos terem a mesma idade.
Achei aquela atitude muito egocêntrica e quis logo animar a Mirna novamente.
- Amor. - Peguei na mão dela, olhei para o meu irmão e ele percebeu, levantou-se e juntou-se à Arya. - Conheci-te de repente, não estava nos meus planos apaixonar-me por alguém, mas tu vieste mudar a minha vida, apareceste num momento difícil e nunca me olhaste de uma maneira diferente, hoje deste-me uma das melhores notícias, vamos ser pais. Contigo eu quero viver a eternidade ... - Fui interrompido pelas lágrimas dela, aquele momento era especial. Meti um joelho no chão e fiz a pergunta decisiva. - Mirna, queres casar comigo? - Perguntei enquanto empunhava o anel dentro da caixa.
De seguida tudo aconteceu muito rápido, a Arya desmaiou entre nós, o Isaac ainda a conseguiu agarrar para ela não se aleijar, a Mirna ficou aflita pela irmã. Ao fim de poucos segundos, quando me preparava para ligar aos bombeiros ela acordou.
- Oh minha nossa. O que se passa contigo? Quero saber agora! - Pediu Mirna nervosa, enquanto isso fui à cozinha buscar dois copos de água com açúcar.
- Desculpa-me, eu não te quero estragar a noite. - Arya parecia estar prestes a chorar. - Vamos embora Isaac por favor. - Implorou.
Enquanto fui e voltei só tinha percebido que a Mirna não a deixava sair sem lhe contar o que se passava.
- Eu ... - Engoliu em seco. - Eu tenho cancro da mama. - O choque foi geral. - Estou no Estadio dois. E estes enjoos e tonturas têm a ver com a quimioterapia. - Depois começou a chorar, a Mirna agarrou-se a ela. 
Vi o Isaac perder o chão, puxei-o e sussurrei-lhe ao ouvido para ter calma e que tudo ia correr bem, tinha ficado tenso. No chão ambas choravam  agarradas, levantámos as duas e dei força a ambas também.
Tocaram à campainha, que péssimo momento, fui abrir e lá fora só estava uma embalagem média com o meu nome, optei por a abrir mesmo ali, qual não foi a minha surpresa quando vi que lá dentro estava uma caixa de música, pensei que fosse do bailado até pôr a música a tocar e perceber que estava completamente enganado. Naquela caixa tocava a mesma música do dia em que eu tinha sido desqualificado do concurso de dança, aquela encomenda tinha-me sido enviada pelo Andrew, o filho da mãe que eu tinha conseguido incrimar pelos meus crimes.

Fim da terceira temporada

Surpreendidos com os acontecimentos finais?

julho 10, 2016

04. Tréguas

Capítulo anterior, aqui.

Cuidado com a escolha que fazes! Neste capítulo tu decides o rumo!

04. Tréguas

A Mirna apareceu a correr, quando viu a situação ficou perplexa, espreitou pela porta mas não observou ninguém, eu peguei nele e levei-o para o sofá, esta foi buscar a mala dos primeiros socorros enquanto eu o tentava acordar.
Imediatamente tive a certeza que aquilo tinha a ver com o dealer quando vi que num dos bolsos do seu casaco estava uma minúscula bolota com pó, tirei-a e guardei-a no meu bolso para a Mirna não a ver, peguei-lhe no pulso para sentir a pulsação e estava estável, ela voltou e trouxe vinagre, passou-me a garrafa e eu abri a tampa por baixo do seu nariz, em segundos abriu os olhos, tentou-se mexer mas gemeu com as dores, obriguei-o a ficar quieto enquanto ela preparava o algodão para limpar as feridas.
- Isto vai doer um bocadinho! - Avisou ela antes de encostar o algodão.
Depois das feridas todas limpas ele continuava em silêncio, a Mirna ainda tentou perceber o que lhe tinha acontecido e que devia ir ao hospital ver se estava tudo bem mas este só recusou com a cabeça. Momentos após terminar, recebeu uma chamada da sua melhor amiga, Ella, para se encontrar com esta porque tinha um assunto importante para lhe contar, perguntou-me se não me importava de nos deixar sozinhos e eu disse-lhe que não havia qualquer problema, até me iria dar jeito para ter uma conversa séria e definitiva com ele. Foi ao quarto buscar um casaco, deu-me um beijo e depois saiu.
- Agora nós vamos ter uma conversa! - Comecei. O Isaac desviou o olhar e fitou o chão. - Que porra é esta mano? - Questionei com a bolota na mão.
Eu não o podia deixar estragar a sua vida por isso fiz-lhe um ultimato onde ou aceitava a minha ajuda ou fazia queixa dele à polícia, ficou sem reação. Obriguei-o a contar quem o tinha espancado.
- Foi ... Foi ... - Gaguejava amedrontado. - Foi o dealer, o gajo não aceitou que pagasse depois e eu precisava da cena, queria ficar esquecido por uns momentos. - Não estava a acreditar naquilo. - Eu sei que errei e quero mudar, ajuda-me. - Implorou.
- Claro que te ajudo! - Prometi pondo-lhe a mão no ombro. - E tenho mais uma coisa para falar contigo ... - Se queria esclarecer tudo com ele eu tinha de contar meia verdade.
Revelei-lhe que me tinha levantado da cadeira de rodas não no dia em que lhe dissera mas sim dois dias antes, uma pequena mentira aceitável, fiz-lhe ver que eu não o queria incomodar mais, depois pedi desculpa e ele aceitou, demos um abraço e tudo voltou a ficar bem entre nós.
Logo de seguida quis que ele combinasse um encontro com o dealer, disse-lhe que ia devolver o que tinha tirado, ainda me tentou dissuadir mas eu tinha outros planos. A custo lá enviou uma mensagem a combinar na casa dos pais, como nenhum deles estava presente aquele era o local ideal para a minha ideia.
Antes de sair fui buscar uma almofada e um cobertor para ele descansar, depois pediu-me cuidado e eu respondi-lhe para ficar descansado.
Quando cheguei lá a casa, já com as luvas postas, deixei a porta da rua entreaberta, peguei numa frigideira que havia na cozinha e por fim escondi-me perto da entrada. Vinte minutos depois ouvi barulho no lado de fora, de seguida a porta da rua a deixar entrar mais luz dos candeeiros, espreitei para ver se era ele e quando tive a certeza esgueirei-me sorrateiramente pela sombra e num golpe certeiro bati-lhe na cabeça deixando-o inconsciente, com ele ali no chão dirigi-me à arrecadação e trouxe uma corda para o amarrar. Quando lhe prendi os pulsos, levantei-o em peso e arrastei-o para a rua, esta encontrava-se deserta e silenciosa, abri a bagageira do meu carro e meti-o lá dentro. Depois entrei no carro e arranquei rumo ao beco onde matara a Rose, algum tempo antes.
Quando lá cheguei sentei-o junto a um tubo e dei-lhe um pontapé entre as pernas que o fez acordar todo contorcido, por perceber que não me conhecia revelei-lhe quem era, cuspiu-me nos pés, rapidamente levou outro pontapé que o fez gemer de dor, ri-me da sua cara.
- Sabes o que é isto? - Perguntei mostrando a bolota. Ele olhava para a minha mão enquanto algumas lágrimas lhe caiam. - Por tua culpa o meu irmão meteu-se nesta merda mas se depender de mim termina hoje! - Sem perceber o que ia fazer, seguiu-me só com os olhos.
Rasguei um pouco a embalagem com uma chave e aproximei-me do seu rosto, tapei-lhe o nariz e enfiei-lhe a bolota pela garganta, depois tapei-lhe a boca para não cuspir, este tentava debater-se mas em vão.
- Parece que hoje é o teu fim! - Disse com um riso irónico.
Poucos minutos depois os seus olhos começaram a ficar vermelhos, pequenas convulsões surgiram, pela sua boca começou a sair uma espuma branca, a sua respiração tornou-se pesada, o corpo tremia mais rápido, momentos depois parou e deixou de se debater contra a droga, procurei a sua pulsação através da jugular mas não a senti, optei por lhe soltar os pulsos e deixá-lo caído junto ao tubo, todos pensariam que errara na dose e morrera por um erro estúpido. Peguei-lhe no telemóvel, por ser um número descartável era impossível de identificar, desliguei o aparelho e trouxe-o comigo mas antes ainda me despedi, depois voltei para casa.
Ao abrir a porta não ouvi qualquer barulho, o Isaac encontrava-se a dormir no sofá tranquilamente, dirigi-me para o quarto e reparei que a Mirna ainda não tinha chegado, decidi ligar-lhe e respondeu-me que estava quase a chegar. Despi a roupa ficando só com os boxers, vesti também uma manga à cava e sentei-me na cama à espera dela.
Acordei com os seus beijos algum tempo depois, vestiu o pijama e disse-me muito entusiasmada que a Ella estava grávida de um menino, depois acabámos por adormecer agarrados.
No dia seguinte despertei com uma chamada do meu telemóvel, eram os diretores do espetáculo a informarem-me que tinha sido escolhido para participar, fiquei radiante, ia voltar a dançar. Fiquei tão entusiasmado com a noticia que a acordei e revelei as novidades deixando-a eufórica.
Nesse momento tocaram à campainha, vestimos os robes e fomos para a sala ...

Seleciona a opção com que pretendes continuar ...
 

julho 07, 2016

Qual o melhor?

Foi no dia 11 de outubro do ano passado que publiquei o primeiro capítulo da história, agora Aparências mas anteriormente Sangue Amargo. Com o passar do tempo decidi alterar o nome mas para a maioria das pessoas ela continua a ter o mesmo do inicio. Portanto hoje pergunto-vos ...



O que tiver mais votos ficará o título final. Cabe a vocês decidirem! 
Podem ler tudo sobre esta história na sua página exclusiva, aqui.

maio 30, 2016

03. Dependência

Capítulo anterior, aqui.
03. Dependência

Virei-me para ela e sorri, a sua expressão estava carregada, percebi que não tinha gostado de me ver ali à conversa com o Patrick, devia ter calculado melhor a situação.
- Está tudo bem aqui? - Perguntou seriamente.
- Tudo perfeito! - Disse calmamente. - Certo? - Inquiri virando-me para o Patrick, que abanou a cabeça em concordância.
Depois pediu-me para ir com ela até ao jardim da empresa, este era grande e tinha ao centro uma fonte, em redor existiam várias mesas e bancos que serviam para almoçar ou conviver, algumas árvores e flores também compunham o local.
- Eu não acredito que vieste aqui pedir explicações ao homem! - Repreendeu-me zangada.
- Não é nada disso! - Tentei desviar a situação mas a expressão dela fez-me confessar. - Porra, desculpa mas eu não aguentei. Sabes como é que aquele bilhete me deixou? - Perguntei nervoso.
A sua expressão fechada deixava-me sem saber como reagir, de repente começou-se a rir e abraçou-me dizendo que gostava de me ver assim com ciúmes, que ficava atraente, agarrei-lhe o queixo e beijei-a.
- Aiden, olha onde estamos ... - Beijei-a novamente e depois larguei-a.
- Mas fica descansada que não disse nada de mal ao homem, compreendi que ele é mesmo assim. - Disse fazendo-a acreditar.
Despedi-me e ela voltou ao trabalho, combinámos que a viria buscar mais tarde.
Recebi uma mensagem do Danny, um colega bailarino a convidar-me para ir com ele a uma audição para um bailado e quem sabe participar, aceitei o convite, recebi de seguida outra mensagem com as horas e o local de encontro, ainda faltava algum tempo, aproveitei e fui ter com o meu irmão.
Quando cheguei a casa dos nossos pais, reparei num homem que nunca tinha visto a sair, o seu aspeto era estranho, o modo de vestir não inspirava confiança. Entrei, fui até à sala e fiquei em choque com o que estava a acontecer à minha frente, o Isaac estava a inalar um pó branco em cima da mesa, rodeado por várias garrafas vazias de whisky, vinho e cerveja.
- Que merda é que estás a fazer? Larga já isso! - Ordenei completamente alterado.
Assustou-se e deixou cair o produto, tentou apanhá-lo mas eu agarrei-o com força e puxei-o para o sofá, não dizia uma única palavra. Perguntei-lhe desde quando é que ele consumia e após alguma insistência acabou por revelar que era a terceira vez, não acreditei e dei-lhe um murro.
- Irresponsável! - Gritei. - Queres tornar-te num agarrado? Porque é que estás a destruir a tua vida? Tu tens objetivos! - Enquanto me ouvia massajava a cara que tinha ficado marcada, olhei-o nos olhos e vi que começara a chorar. - Estás a chorar porquê? - Inquiri irritado.
- Eu estou sozinho! - Confessou enquanto chorava. - Não tenho ninguém. - A situação era mais grave do que pensava.
Sentei-me ao seu lado e abracei-o, disse-lhe que ele me tinha a mim e que se não tivesse acabado com a Arya também a tinha a ela. Quis saber porque é que ele estava a reagir assim e revelou-me que os nossos tios tinham lá estado para conversarem mas este recusara. Um ódio começava a surgir dentro de mim por aqueles dois seres.
- Agora vens comigo a um especialista que te vai ajudar com estes problemas que tens! - Disse tentando ajudá-lo.
- Problemas tens tu! Não fui eu que fingi que estava paraplégico quando já andava. Não te perdoo, vai-te embora. - Tinha-se imposto, conseguia ver a revolta dentro de si.
Neguei e agarrei-o por um braço para o levar para o carro, empurrou-me e fui cair desamparado junto da mesa de jantar, depois sem olhar para mim, saiu. Levantei-me e fui atrás dele gritando o seu nome, vi-o ao longe a esbarrar com um homem idoso, aquele não era o irmão que eu conhecia.
Recebi uma mensagem do Danny a perguntar se aceitava tomar um café com ele antes da audição, apesar de não estar com cabeça decidi aceitar, fora por ele que eu tinha tomado conhecimento.
Quando cheguei ao café, cumprimentei-o, tinha sempre um estilo muito extravagante, apesar de tudo era boa pessoa, nunca tive nada contra ele, não éramos amigos só colegas de profissão e da escola de ballet.
Falámos sobre dança e as últimas competições a que este tinha ido, depois contei-lhe também que estava parado desde o acidente e ele disse que aquela seria uma excelente forma de ressurgir, dei-lhe razão.
Estava na hora das audições, entrámos no recinto e observámos algumas pessoas, cada um inscreveu-se e depois aguardámos. Ele foi primeiro, depois chegou a minha vez, apresentei-me perante os jurados.
Depois de ter ido buscar a Mirna ao trabalho e chegarmos a casa fui tomar um banho para relaxar, estava com esperança sobre o casting, saí do duche com a toalha presa à cintura, enquanto me vestia ouvi o telemóvel a tocar, quando olhei para ver quem era não conheci o número, atendi. Fiquei a ouvir, era do hospital, o meu pai adotivo estava em coma alcoólico, agradeci pela informação e desliguei a chamada, pensei se devia fazer alguma coisa mas depois de tudo o que sofri em criança ele merecia muito pior, acabei de me vestir e fui ter com a Mirna à cozinha, estava a fazer o jantar, sentei-me num banco a olhar, estava realmente apaixonado. Aproveitei e contei-lhe as novidades sobre a audição, ela ficou empolgada, pedi-lhe calma pois nada estava decidido, depois mudei de assunto.
- Como está a tua irmã? - Quis saber curioso.
- Não falei com ela, só com a minha mãe mas acho que continua com enjoos e vómitos. - Respondeu visivelmente preocupada.
- Eu tive a pensar numa coisa, não sei, achas que é possível ela estar grávida? - Pela sua expressão rapidamente percebi que ainda não tinha ponderado aquela hipótese. - É que ela tem os sintomas!
- Será? Acho que se fosse isso ela me contava mas agora fiquei na dúvida. - Confessou enquanto terminava de cozinhar.
Fomos para a mesa e enquanto apreciava o seu Strogonoff de frango ela decidiu contar-me as novidades.
- A partir de amanhã já não tens de te preocupar com o Patrick! - Disse-me piscando o olho.
- Já não estou preocupado com ele! - Menti. - Mas explica lá porquê. - Pedi querendo saber a desculpa que ele arranjara.
- Vai ser o CFO, diretor financeiro, da nova sucursal da empresa na Suíça, como é solteiro pode recomeçar a vida lá. - Revelou-me.
- Isso é muito bom para ele! Quando vai? - Questionei interessado com a data.
Após me revelar que aquele tinha sido o último dia dele ali fiquei satisfeito por ter cumprido o ultimato.
Estávamos a acabar de jantar quando tocaram à campainha, não esperávamos ninguém, levantei-me e encaminhei-me para a porta, ao abri-la não acreditei no que os meus olhos viam, o Isaac estava ali com a roupa rasgada e vários hematomas, o seu rosto estava com vários cortes, o sangue pingava, quando me viu desmaiou e caiu sobre mim, amparei-lhe a queda e pedi ajuda.

Próximo Capítulo, aqui.

Palpites do que aconteceu ao Isaac?

maio 16, 2016

02. Sangue Quente

Capítulo anterior, aqui.
02. Sangue Quente

Peguei no papel e fui confrontar a Mirna, ela acabou por me explicar que ele, Patrick, fazia isso com várias colegas, era a forma dele ser, não gostei e fiz questão de lhe dizer, ela riu-se e depois abraçou-me.
No dia seguinte, já passava da hora do almoço quando o Isaac teve alta, o médico disse-nos que ele teria de ficar sobre vigilância, sugeri que ele ficasse em minha casa mas este negou e disse que não queria passar tempo comigo, optou por ficar com a Arya em casa dela. Tinha de falar com ele, precisava de esclarecer as coisas, tentei iniciar uma conversa mas ele expulsou-me e disse que depois falaríamos, não me conseguia perdoar.
Mais tarde, nesse mesmo dia, estava em casa a jogar xadrez com a Mirna quando a Arya tocou à campainha. Quando lhe abrimos a porta vi-a com os olhos vermelhos de choro, a irmã pediu-lhe para entrar e contar o que acontecera.
- O ... O Isaac ... a... acabou comigo! - Disse entre lágrimas. Eu e a Mirna olhámos em choque um para o outro sem saber o que dizer, ela abraçou a irmã e levou-a até ao sofá.
Tentámos perceber o que tinha acontecido para eles acabarem mas ela própria disse que não sabia, ele tinha terminado tudo com ela e depois saiu sem qualquer justificação. Aquilo não era comum no Isaac, devia estar relacionado com o aparecimento dos nossos pais biológicos. De repente ela levantou-se e correu para a casa de banho, a Mirna foi atrás dela, da sala ouvi-a vomitar.
Quando voltaram à sala, a Mirna estava preocupada com a saúde da irmã, vómitos e enjoos não era normal, a Arya disse-lhe que era só stress e muito trabalho, não acreditei naquela história, algo se passava, ponderei uma possível gravidez.
- Eu vou ter com ele para tentar perceber o que se passa! - Comuniquei às duas. - Fica aí a descansar. As melhoras. - Despedi-me dela e depois dei um beijo à minha namorada.
Entrei no carro e liguei-lhe, demorou a atender, o seu tom de voz estava diferente, perguntei-lhe onde se encontrava, após várias insistências revelou que estava em casa dos pais a seguir desligou. Demorei aproximadamente quinze minutos até lá, quando estacionei o carro e me dirigi para a entrada vi que a porta estava apenas encostada, abri-a e quando entrei na sala vi-o sentado no sofá a beber, pelo chão existiam várias garrafas vazias, o cheiro a álcool era intenso, chamei-o e ele quando me viu desatou-se a rir.
- Olá maninho. Como estás? - A sua fala arrastada misturada com o seu riso irónico deu-me vontade de lhe dar um estalo para acordar. - Queres dar um golinho? - Perguntou enquanto se ria.
Irritado com aquela situação aproximei-me e puxei-o por um braço, ele levantou-se mas não conseguia andar, apoie-o em mim e levei-o para a casa de banho no piso superior, íamos caindo nas escadas mas consegui equilibrar-nos, ele pedia mais bebida, abri a porta e sentei-o junto à banheira, tirei-lhe a camisola, ficou em tronco nú. Liguei o chuveiro com água fria, pendurei-o para dentro e comecei a molhar-lhe a cabeça, o Isaac só reclamava.
Após ficar sóbrio sentei-o numa das camas do nosso quarto e perguntei-lhe o motivo dele ter terminado com a Arya, disse-me que não queria falar disso, nem de nada, só queria estar sozinho, pedindo-me para sair, aceitei mas disse que no dia seguinte estaria ali para conversarmos, ele aceitou.
Quando estava a chegar a minha casa, encontrei a Mirna a tirar algumas malas do carro, fiquei feliz por se estar a mudar para junto de mim, perguntei-lhe pela Arya e esta disse-me que ela tinha ido para casa dos pais uns dias descansar e pensar na vida, contei-lhe o que tinha acontecido com o Isaac e ela ficou perplexa porque não o imaginava assim.
No dia seguinte resolvi levar a Mirna ao trabalho, disse-lhe que queria passar tempo com ela, não que fosse mentira mas o principal objetivo era ver a cara do meu rival e ter uma simples conversa com ele. Antes de sairmos tocaram à campainha e qual não foi o meu espanto quando vi que eram os meus tios, ou agora pais biológicos. Perguntei-lhes como tinham conseguido a morada e disseram-me que tinha sido através da Grace, a mãe adotiva. Não me apetecia falar com eles, ouvi-los era a última coisa que queria, disse-lhes que estava ocupado e que íamos sair.
Lembrei-me que eles ainda não se conheciam, a Audrey curiosa como sempre perguntou quem era a rapariga que estava em minha casa.
- Apesar de não ser obrigado a dar-lhe nenhuma justificação da minha vida, esta é a Mirna, a minha mulher! - Respondi aproximando-a de mim, esta saudou-os.
- Não sabia que o meu menino já era casado. - Disse ela entusiasmada. - Muito gosto em conhecê-la.
- Eu não sou o seu menino! - Afirmei rudemente. - Agora com toda a licença, nós estávamos de saída.
Saímos e tranquei a porta, vim-me embora sem me despedir ao contrário da Mirna que foi muito bem educada. Quando entrámos no carro ela estava com um sorriso gigante, perguntei-lhe qual o motivo e respondeu-me que se devia à forma como eu a apresentei.
Levei-a até ao trabalho, deixei-a à porta e ela entrou depois estacionei e fui ter com a rececionista para saber do Patrick, por sorte só existia um funcionário com esse nome, ela disse-me que ainda não tinha chegado e perguntou-me qual era o assunto, inventei que era uma reunião de emergência e que ficaria ali à espera dele, pedi-lhe que me dissesse quando ele chegasse, sentei-me no sofá enquanto observava o ambiente e tentava descobrir algo mais sobre o individuo.
Trinta minutos depois a empregada aproximou-se de mim e disse-me que ele tinha acabado de chegar apontando para o respetivo homem, estava a conversar na entrada com um grupo de mulheres. Agradeci e aproximei-me dele, apresentei-me como namorado da Mirna, ele estendeu-me a mão e eu cedi, acabámos por ficar ali só os dois.
- Em que posso ajudá-lo? - Inquiriu curioso. - A Mirna é uma excelente pessoa, uma grande mulher e uma colega muito empenhada. Sabia? - Perguntou. Respirei fundo e quase sussurrando respondi-lhe.
- Eu li o seu bilhete e não gostei! Assédio é crime, sabia? - Perguntei sendo irónico. - Se não quer ficar em maus lençóis e sem uns dentes na boca sugiro-lhe que pare com esta merda hoje mesmo.
- Tenha calma amigo! Era só uma brincadeira. - Disse pondo-me a mão no ombro.
- Eu estou calmo, caso contrário essa sua mão já estaria separada do corpo ... - Frisei esboçando um sorriso. Ele tirou a mão e depois revelou que não estava a gostar daquela conversa e que ia chamar a segurança. Agarrei-o pelo braço e fui direto ao assunto.
- Se não se despedir dentro de quarenta e oito horas o CEO desta empresa vai saber que você e a mulher dele andam enrolados e aí nunca mais terá emprego neste país. - Ele petrificou e quis saber como eu descobrira. - É um problema enorme a casa de banho dos homens ser junto à das mulheres, ouve-se tudo, depois foi só perguntar ali à rececionista quem era a mulher que tinha saído da casa de banho.
- E como tem tanta certeza que sou eu? - Perguntou muito sério.
Expliquei-lhe que a ouvira a falar ao telemóvel com alguém sobre ele e que sabia do encontro deles nessa manhã, por isso é que ele chegou atrasado. Engoliu em seco e ficou sem reação, fiz-lhe um ultimato.
- Aiden ... - Era ela. - O que estás aqui a fazer?

Próximo Capítulo, aqui.

O que estão a achar? Irá o Patrick ceder?

maio 02, 2016

01. Revelação Inesperada

Segunda Temporada Completa, aqui.
Último Capítulo da Segunda Temporada, aqui.


01. Revelação Inesperada

Não podia acreditar no que estava a ver, à minha frente estavam dois seres que eu conhecia, duas pessoas que nos tinham alojado nas férias de verão na sua casa de campo durante os anos em que andámos na escola, os nossos tios.
Richard, o meu avô paterno, depois do seu casamento com a mãe do meu pai adotivo separou-se e juntou-se a Izabelle, descendente de uma família aristocrata, com quem continua casado até hoje, deste relacionamento nasceu a minha tia, Audrey, ou minha mãe biológica. Já não os via há mais de três anos, tinham-se mudado para a Austrália onde geriam o novo negócio. Audrey e George, o meu verdadeiro pai, eram milionários e gostavam de ostentar a sua fortuna, agora tinham regressado.
- Isaac como está crescido e bonito ... - Começou ela para mim, desde sempre que nunca conseguira distinguir-me do meu irmão.
- Eu sou o Aiden! - Disse friamente. - E estou já de saída.
- Espere por favor, deixe-nos explicar o motivo para a Grace e o Ethan terem ficado a tomar conta de vós. - Pediu avançando na minha direção. George mantinha-se calado ao seu lado.
- Tem cinco minutos! - A raiva que sentia por nunca me terem revelado a verdade era enorme, não os queria ouvir, por causa deles tive uma infância amargurada. Olhei para o relógio. - O tempo está a contar.
Depois de nos sentarmos no banco junto à árvore onde a minha suposta mãe observava a situação, Audrey contou-me que tinha ficado grávida antes de se casarem e que sendo a mãe da alta sociedade não a deixou assumir as crianças porque seria um escândalo naquela época para o nome dela e para a família, obrigando-a a abortar ou a abandoná-las, visto que George tinha viajado durante um ano para o estrangeiro não podendo assim celebrar o casamento antes do nascimento. Disse também que se apegou a nós e que por isso não foi capaz de nos abandonar pedindo ao seu irmão e à sua esposa para tomarem conta de nós, mas teria de ser dos dois porque não nos queria separar. Olhei para o relógio e reparei que o tempo se tinha esgotado.
- E agora resolveram aparecer e estragar-nos ainda mais a vida. Muitos parabéns, lamento informar-vos é que nenhum de nós os vai perdoar, portanto podem voltar de onde vieram. Adeus. - Virei costas e vim-me embora.
- Espere Aiden! Dê-nos uma oportunidade e poderemos ser uma família feliz. - Parei e fiquei a assimilar aquelas palavras, dentro de mim senti um ódio semelhante àquele que tinha quando matei a Lea no seu escritório, encarei-os sem dizer nada e depois voltei novamente costas e saí daquele espaço.
Entrei no carro e liguei ao Isaac precisava de saber como estava, depois de várias insistências sem sucesso resolvi ligar à Arya para saber dele, esta encontrava-se no trabalho e não o via desde essa manhã, só poderia estar em casa. Liguei o carro e arranquei a alta velocidade para lá, ele devia estar péssimo com a informação.
Quando lá cheguei reparei que tinha o carro estacionado, bati à porta e não abriu, lembrei-me que existia uma chave por baixo do vaso da entrada e abri a porta, chamei por ele e nada, vasculhei pelo andar de baixo, nenhuma resposta, quando cheguei ao nosso quarto, vi-o estendido em cima da cama com os pulsos cortados, estava desmaiado, o sangue escorria pelo chão, corri para junto dele e tentei acordá-lo, peguei no telemóvel e liguei para as urgências, uma ambulância vinha a caminho, fui até ao roupeiro buscar duas camisolas e amarrei-as aos seus pulsos para impedir o sangue de sair, ele ainda respirava, tinha medo de o perder, não podia ficar sozinho neste mundo, ele era o meu abrigo. Agarrei-me a ele e comecei a chorar, algo que não fazia há aproximadamente dezasseis anos, pedi-lhe perdão por tudo e implorei para ele acordar, os médicos chegaram e levaram-no, segui atrás deles no meu carro, a minha roupa estava manchada com a alma do meu irmão. Nunca iria perdoar os meus pais. Pelo caminho liguei a Mirna, ela ficou em choque e disse-me que tudo ia correr bem, ia-se despachar para ir ter ao hospital, disse também que informaria a irmã.
No hospital o Isaac estava a ser atendido quando a Mirna apareceu e me abraçou, desabei e chorei no seu ombro, ela agarrou-me e disse que ele era forte e não ia ser nada, depois beijou-me. Conseguiu acalmar-me, ficámos nos bancos há espera enquanto lhe contei tudo o que tinha acontecido, a sua mão apertava a minha. Nesse momento a Arya chegou bastante nervosa e com as lágrimas nos olhos a perguntar por ele, depois de a informar ela foi ter com o médico para pedir mais informações mas não lhe disseram nada de novo, ela sentou-se e baixou a cabeça entre as pernas. Mirna perguntou-lhe o que tinha e ela respondeu que era um simples enjoo mas que iria passar.
Algum tempo depois o médico apareceu e disse que tinha corrido tudo bem e não passava de um susto, disse-nos que ele iria ficar lá a repousar. Pedi ao médico para o ver e ele cedeu. Quando entrei no quarto ele estava a dormir serenamente, o meu coração estava apertado por o ver ali, continuou a dormir até sair. 
Na sala de espera Mirna convenceu-me a ir para casa descansar, pedi-lhe para vir comigo e ela aceitou, precisava da sua companhia, de sentir o seu cheiro junto a mim.
Estávamos no sofá, eu tinha a cabeça no seu colo, sentia-me confortável assim. Levantei-me e fui até ao quarto buscar uma caixinha que lhe entreguei depois, quando ela a abriu e reparou que lá dentro estava uma chave ficou sem perceber, eu convidei-a para vir morar comigo, ela ficou alguns segundos em silêncio mas depois aceitou, seria bom também para a Arya e o Isaac, beijei-a apaixonadamente.
Ela estava na casa de banho quando me pediu para ir à sua mala buscar a pílula, assim fiz e qual não foi o meu espanto quando descobri involuntariamente lá dentro um bilhete de um colega seu, "Mirna eu sei que não me amas, mas poderia fazer-te muito feliz. Dá-me uma chance ...". Fiquei a olhar para o papel e vi que tinha um rival que precisava de ser posto fora de jogo.

Próximo Capítulo, aqui.

O que estão a achar do desenrolar desta história?

Estreia hoje a terceira temporada ...


Não podes perder hoje às 18h00 a estreia do primeiro capítulo da terceira temporada de Aparências.

Quem serão os pais biológicos? Quais os mistérios reservados para esta temporada?

abril 22, 2016

Alterações na História


A minha história vai mudar de nome! No início, quando comecei a escrever, eu disse que "Sangue Amargo" era apenas provisório até arranjar o nome final aquele que se adequava melhor à história geral, depois de concluir o planeamento encontrei o certo, "Aparências".

Para aqueles que já acompanham a história podem começar a ler a terceira temporada a partir do dia 29 deste mês, às 22h.

Lê tudo sobre esta história, aqui.

fevereiro 25, 2016

05. A Cadeira

Capítulo anterior, aqui.

05. A Cadeira

Ela ficou estática a olhar para mim, mil pensamentos deviam percorrer-lhe o cérebro, eu estava nervoso, precisava da sua resposta.
- Sim, eu quero! - Respondeu esboçando um sorriso. 
Fiquei feliz, éramos oficialmente namorados, beijei-a, de seguida levantei-me do sofá com ela ao colo e fui em direção ao quarto, pelo caminho trocámos mais beijos.
Quando entrámos no quarto fui para a cama e sentei-me, ela estava por cima de mim, lentamente fui abrindo o fecho do vestido, senti a sua pele, o seu aroma deixava-me louco de desejo, levantou-se e tirou o vestido, reparei que trazia uma provocante lingerie vermelha, fiquei de boca aberta a olhar para o seu corpo, enquanto se aproximava de mim subiu para o meu colo e empurrou-me contra os lençóis, senti a sua respiração no meu ouvido, fiquei arrepiado, ela foi descendo as mãos e desapertou-me as calças, era impossível resistir-lhe. Nessa noite cada um entregou-se de uma maneira muito mais intensa do que qualquer outra vez.
No dia seguinte, acordei com ela a dormir sobre o meu peito, acariciei os seus cabelos sentindo o seu perfume, nesse momento senti-me uma das pessoas mais completas, tinha casa própria, uma linda namorada e a oportunidade de voltar a dançar. 
Tive pela primeira vez um momento de consciência profunda desde a primeira morte que cometera, interroguei-me o quanto era errado o que tinha feito, mas cheguei à conclusão que não me arrependia, todos mereceram. Prometi a mim próprio que a partir daquele dia iria ser uma pessoa diferente, mais tolerante dentro do possível.
- Bom dia! - Saudou ela com a sua voz de sono. - Porque não me acordaste?
- Estava a adorar ter-te nos meus braços. Transmites-me paz! - Admiti.
- Amo-te! - Confessou.
Depois de nos levantarmos e tomarmos um banho juntos, disse-lhe que iria contar ao meu irmão que já conseguia andar e que éramos namorados, ela apoiou totalmente. Liguei ao Isaac e pedi-lhe para ir ali a casa.
Enquanto esperávamos por ele ficámos abraçados no sofá a assistir a um filme, a cadeira de rodas estava ali perto. O filme estava quase no fim quando a campainha tocou.
- Estás pronto? - Quis saber ela.
- Sim! Podes abrir a porta, por favor? - Pedi.
Ela encaminhou-se para a entrada, pelo caminho só conseguia olhar para o seu corpo a bailar pela casa, a porta abriu-se e nesse exato momento a cara de surpresa do meu irmão foi impagável.
- Olá Isaac! Tudo bem contigo? - Questionou ela. - Entra!
- Olá ... Tu aqui? ... Sim estou bem, e tu? Há alguma coisa que me tenha escapado? - Perguntou um pouco baralhado, enquanto entrava.
- Mano, chega aqui! - Pedi.
- Olá, parece que tens alguma coisa para me contar ... - Insistiu ele.
Ambos se sentaram no sofá e revelei-lhe a novidade sobre nós, ele ficou mais eufórico do que o esperado, na opinião dele era fantástico dois irmãos namorarem duas irmãs. Perguntou-me quem é que já sabia e que tinha de revelar à Arya aquela grande novidade, sugeriu logo um jantar de casais, nós aceitámos.
- Mas não é tudo ... Tenho mais uma coisa para te contar ... - Fui interrompido logo por ele.
- Estás grávida Mirna? - Perguntou ele completamente entusiasmado.
Ambos nos metemos a rir e dissemos que não, depois a Mirna foi para o quarto para eu poder falar com o Isaac sozinho.
- Como bem sabes durante mais de seis meses fiz fisioterapia todos os dias, eu queria mesmo voltar a andar, eu lutei muito ...
- Aiden ... Vais andar para aí a dar voltas ou vais dizer logo o que tens a dizer? - Perguntou curioso.
- Pois, bem, eu ... - Nesse momento levantei-me do sofá e fiquei a olhar para ele.
Ele ficou em choque, não estava à espera daquela notícia, ficou simplesmente calado a olhar para mim. Perguntei-lhe se não tinha nada para me dizer, ele levantou-se, olhou-me de alto a baixo e revelou-me que já calculava, só estava à espera que eu lhe dissesse. Disse-me que suspeitava desde o dia em que decidira voltar para minha casa sozinho, eu neguei e disse-lhe que só tinha começado a andar há poucos dias, ele não acreditou, ficou magoado por não lhe ter contado no próprio dia, disse que precisava de tempo para pensar e saiu. Eu fiquei sem saber o que fazer, o Isaac era quase uma parte de mim, nunca tinha ficado sem ele, magoá-lo foi um erro grave.
Sentei-me no sofá sem saber o que fazer, poucos minutos depois a Mirna entrou na sala, contei-lhe o que se tinha passado e ela confortou-me, depois disse-me que precisava de ir trabalhar mas não me queria deixar ali sozinho, eu disse para ela ir, despedi-me com um beijo e saiu.
Durante a tarde recebi uma chamada da minha mãe, queria que fosse até ao centro de repouso porque tinha algo muito importante para me dizer, quis saber o que era mas não me disse. Peguei nas chaves do carro e sai pelo meu próprio pé, tinha deixado de vez a cadeira.
Quando cheguei ao centro e entrei reparei que estava lá o Isaac, a conversa seria com os dois, quando me viu não disse nada, simplesmente ficou a olhar, não conseguindo aguentar sem falar com ele, meti conversa.
- Olá, a mãe também te chamou?
- Se estou aqui é porque sim! - Respondeu friamente.
- Isaac eu juro-te que quando me mudei ainda não andava, acredita em mim, porra! - Implorei. - Desculpa se contei primeiro à Mirna mas estou louco por ela. - Confessei.
- Aiden falamos sobre isto depois! - Disse ele pondo fim ao assunto.
Entretanto o auxiliar tinha chegado e indicou-nos o caminho a seguir até ao jardim da clínica. Ela estava sentada num banco junto a uma árvore a ler um livro, quando nos viu ficou admirada por eu estar de pé, contei-lhe os pormenores enquanto o Isaac fazia cara feia, depois interrompeu e perguntou o que é que ela nos queria.
A expressão dela mudou, as palavras eram curtas, começou a contar-nos a nossa história desde crianças, o Isaac olhava para mim sem compreender a situação, por fim largou a notícia que eu já sabia, revelou que éramos adotados. O meu irmão ficou em estado de choque, sem compreender, eu limitei-me a fingir que estava a ouvir aquilo pela primeira vez. Como eu previra aquela notícia estava a dar cabo do Isaac, tremia por todos os lados, não conseguia falar, a respiração estava pesada.
- Isaac tem calma por favor, nada muda! - Tranquilizou-o. - Tenho muito para vos explicar mas primeiro deixem-me apresentar os vossos pais biológicos. - Depois acenou com uma mão para trás de nós.
A curiosidade inundou-me, quem seriam os meus verdadeiros pais, quais seriam os motivos para nos terem abandonado. Pela primeira vez estava nervoso e talvez com um pouco de medo, olhei nos olhos do Isaac, este virou a cabeça e viu primeiro que eu, a sua reação foi de absoluto choque, virei-me para tentar compreender e logo entendi.
- Vocês? - Aquilo tinha-me apanhado completamente de surpresa. O Isaac não aguentou e correu dali para fora.


Fim da segunda temporada

Primeiro Capítulo da Terceira Temporada, aqui

O que achaste das últimas mudanças? 

fevereiro 17, 2016

04. Frágeis Memórias

Capítulo anterior, aqui.

04. Frágeis Memórias
  
Vinte e um dias após a morte e o funeral da minha irmã algumas coisas mudaram, a minha mãe foi internada numa clínica de repouso por ter ficado à beira de uma depressão, que pena não ter ficado mesmo, o meu irmão e a Arya oficializaram a relação com duas alianças de compromisso, foi um gesto bonito da parte dele mas piroso, embora também o fizesse pela Mirna, o meu pai começou a beber e agora passa os dias bêbado, tenho de lhe oferecer algumas garrafas, e eu mudei-me novamente para a minha casa apesar da insistência do meu irmão para ficar.
Durante estes dias apesar de não estar minimamente triste fiz o meu papel de coitadinho e a Mirna foi um grande apoio, eu que nunca quis ninguém definitivo na minha vida estava a mudar de opinião a cada dia graças a ela. Gosto da sua companhia e quero estar mais tempo com ela, sempre que estamos juntos o meu lado negro desaparece, a Mirna tem esse poder, consigo transformar-me numa pessoa que eu quase desconheço, não sei se isso é bom sinal.
Depois de muito pensar cheguei à decisão que aquele seria um dia muito importante para mim, já a conhecia quase há um mês, estávamos juntos todos os dias durante várias horas, naquele momento liguei-lhe e convidei-a para jantar em minha casa, ela aceitou.
Ainda faltavam algumas horas para o jantar e tinha uma última vingança preparada para a pessoa que me atropelou. Depois de ter descoberto o local onde esta se encontrava, passei finalmente à ação, tinha esperado mais de seis meses por este dia e agora ninguém iria impedi-lo, meti as luvas, preparei a arma, coloquei-lhe o silenciador e saí. 
Desde que voltei a andar só conduzi uma dúzia de vezes e sempre para locais próximos, esta seria a viagem mais longa depois da recuperação mas valeria a pena só para a aniquilar.
Cheguei à academia de dança e fiquei dentro do carro. Com o telemóvel descartável que tinha comprado, liguei-lhe. 
- Olá! Temos contas para ajustar, não te parece?
- És um louco, psicopata, assassino! Vou é entregar-te à policia. - A ameaça dela era bem possivel, mas previsível.
- Faz isso e o teu marido morre com um tiro nos cornos neste exato momento. - Disse muito tranquilamente, bluff era o que me iria safar desta vez. - Se tentares comunicar com alguém seja de que forma for eu saberei! Estás vigiada ... - Depois disse-lhe para vir ter comigo a casa do filho, o que a fez exaltar-se e ofender-me de várias formas, sem a deixar desligar mantive a comunicação.
Vi-a a sair desesperada da academia, liguei o meu carro, ela entro no seu, meti o sinto, ela arrancou, segui-a até ao destino.
Àquela hora a rua estava deserta, as pessoas estavam a trabalhar ou na escola, ela estacionou e correu para a porta do filho. Parei o carro, arranjei a arma e saí em direção à porta da casa, ela procurava rapidamente a chave na mala quando lhe toquei com a arma nas costas, ela assustou-se e eu mandei-a calar-se e abrir a porta, assim fez apesar de ter demorado mais um minuto até encontrar a chave. Entrámos e mandei-a sentar-se no sofá, eu fiquei de pé a olhar para ela.
- Então Leona como está? Já não nos víamos há mais ou menos seis meses ... - Ironizei. - Não tem nada para me dizer? - Enquanto falava apontava-lhe a arma.
- Seu desgraçado! Onde está o meu marido? - Perguntou. 
- Bluff! - Ri.
- Eu sei que foste tu que mataste o Zack! Como foste capaz? - Começou a chorar. - Vocês eram amigos! E como é que voltaste a andar? - A raiva tinha-se apoderado dela.
O Zack tinha sido a minha segunda vítima, ele só morreu por causa da mãe e agora aqui estava ela a vingar-se pelo filho, que irónico. Só não percebi como é que ela descobriu que tinha sido eu.
- Mas como é que descobriu? - Perguntei curioso.
- A mensagem que me enviaste dizia "Olá mãe, estou com uma problema. Preciso que venha cá! Beijinho.", primeiro o Zack nunca me tratou por você e depois ele nunca escreveria beijinho, mesmo assim vim cá a casa e quando cheguei vi a cena macabra que encenaste, o corpo dele já sem vida a boiar na piscina, és maquiavélico!
- Mas isso não explica o facto de saber que fui eu!
- Tu combinaste um encontro com ele! Para teu azar eu falei ao telemóvel com ele depois disso e disse-me que naquele dia iria ficar em casa e que ia passar a tarde contigo. - Aquela revelação tinha-me apanhado de surpresa, afinal não tinha sido tão cuidadoso como pensava.
- A quem é que contou? - Perguntei enquanto continuava de arma em riste.
- Só eu sei, por enquanto! Pensei que tinhas morrido, mas depois ligaste-me e agora estás a andar. - Fez uma pausa. - Não entendo como é que é possivel! És um demónio! - Disse confusa.
- Não! Só sou um ser com muita sorte! Fisioterapia e uma queda acidental foram a fórmula para o sucesso. Mas isso agora não interessa! - Calei-me e deixei o silêncio imperar.
Podia torturá-la mas decidi ser rápido e despachar aquilo rapidamente, não sem antes criar uma situação de suicídio, obrigando-a a escrever uma carta de despedida e a dizer que não conseguia viver sem o filho, depois aproximei-me dela encostei a pistola à cabeça e disparei. Ela tombou sobre o sofá, coloquei-lhe a arma na mão e olhei uma última vez para a situação com o dever de missão comprida. Agora poderia voltar a ser eu, livre e feliz.
Tinha regressado a casa, faltava uma hora para a Mirna chegar, estava a tomar um banho de imersão para relaxar, depois de tanta confusão nos últimos meses merecia. Quando saí da banheira, vesti-me e arranjei a mesa, enquanto o jantar ficava pronto, acendi umas velas e liguei a música, para criar um ambiente descontraído. Tocaram à campainha, devia ser ela, sentei-me na cadeira de rodas e fui abrir a porta.
Quando a vi o meu coração disparou, estava num justo vestido preto, o que deixava transparecer a sua bela forma física, o cabelo cobria-lhe os ombros e o sorriso iluminava-me os olhos, demos um beijo e pedi-lhe para entrar e sentar-se no sofá, ela assim fez.
- Como sabes eu gosto muito de estar contigo e confio imenso em ti, por isso gostava que fosses a primeira a ver ... - Aquela era uma prova de amor e confiança que lhe estava a dar.
- Estás a deixar-me nervosa!
- Desde que te conheci ganhei uma nova força e coragem para tentar. - Não era de todo verdade mas eram palavras bonitas de se dizer. - Foi graças a ti que consegui ... - Lentamente fui-me levantando da cadeira até ficar de pé.
O seu rosto era de pura surpresa, estava a olhar para mim de boca aberta sem dizer nada. Talvez tivesse cometido um erro ao confiar nela, se calhar ainda era demasiado cedo. De repente ela abraçou-me e agradeceu por lhe ter contado. Beijei-a e ficámos ali abraçados durante uns minutos até ouvir o forno a apitar.
- A carne ... - Disse. 
Ela riu-se e fomos até à cozinha, de mãos dadas, passámos pela mesa e ela elogiou a decoração e a música que se ouvia. Depois de preparar os pratos fomos para a mesa e jantámos enquanto conversávamos sobre as novas aventuras que agora podíamos fazer visto que já andava, passámos à sobremesa, morangos com natas. 
Enquanto comíamos retirei um morango e dei-lho, ela trincou e quando ia para comer o resto meti-o na minha boca, ela fez um sorriso maroto e foi em direção aos meus lábios acabando por me beijar, o clima estava a aquecer, as suas mãos tocaram no meu tronco, iam descendo até chegar ao fim da camisola, quando senti a mão dela nas minhas calças puxei-a para mim e ficámos de pé, enquanto nos beijávamos, fomos caminhado pela sala até ser empurrado para o sofá, ela sentou-se por cima de mim, puxando o vestido um pouco para cima para não o rasgar, tirou-me a camisola, estava completamente encantado com ela. De repente lembrei-me do objetivo daquele convite e afastei-a.
- Espera um segundo ... - Pedi.
- O que foi? - Questionou enquanto me beijava o pescoço.
- É que tenho uma coisa para te pedir ... - Enquanto tentava falar, ela beijava-me o resto do tronco, senti os seus lábios a percorrer os meus abdominais, estava a ficar impossível resistir. - Eu amo-te! - Tinha sido a primeira vez na minha vida que tinha declarado o meu amor assim a alguém. 
Ela parou, olhou-me nos olhos e retribuiu o sentimento.
- Queres namorar comigo? - Perguntei nervoso.


Próximo capítulo, aqui.

O que achas que irá acontecer no próximo e último capítulo da segunda temporada?

fevereiro 09, 2016

03. A Máscara

Capítulo anterior, aqui.

Cuidado com a escolha que fazes! Neste capítulo tu decides a forma de tortura!

03. A Máscara

Trovejava, chovia e estava um frio de rachar naquele dia mas para mim era o melhor desde há alguns meses. O funeral da velha era naquela tarde mas principalmente tinha acordado a sentir as pernas, graças a um esforço diário poderia voltar a andar.
O quarto estava vazio, o Isaac devia estar com a namorada, aquele seria um momento muito importante para mim, tentaria levantar-me da cama.
Sentia o sangue a correr-me nas pernas, a emoção de poder voltar a dançar estava ao máximo, lentamente mexi os dedos dos pés, depois tentei arrastar uma perna e depois a outra, estava a conseguir, segundos depois já estava sentado na cama, os pés tocavam no tapete, sentia os pelos deste enquanto deslizava os pés, a parte mais difícil tinha chegado, levantar-me, apoiei as mãos na cabeceira da cama e fui-me puxando para cima, estava a conseguir, depois de tantos meses de dor esta finalmente tinha desaparecido, estava de pé, soltei a cama e recuperei o equilíbrio perdido, avancei lentamente até à janela do quarto, eu tinha conseguido, eu tinha voltado a andar. 
Agora estava na altura de finalmente colocar o meu plano em prática e destruir a pessoa que me tinha atropelado.
Olhei pela janela e reparei que nenhum dos carros estava parado à porta, estava sozinho em casa, a minha família devia estar a receber consolo de outros parentes por isso peguei na roupa que o meu irmão tinha deixado em cima da cama, coloquei-a em cima da cadeira e dirigi-me para a casa de banho, não queria correr o risco de ser apanhado a andar por alguém, usaria esta máscara de paraplégico até me dar jeito.
Saí do quarto, ao passar pelo corredor olhei na direção das escadas e lembrei-me da minha queda, ri-me e fui até lá empurrando a cadeira, ia preparar-me para experimentar as escadas quando ouvi uma porta a abrir-se no corredor, imediatamente tirei a roupa da cadeira e sentei-me, pouco depois apareceu a minha suposta irmã, Rose, sete anos mais nova, os meus pais decidiram dar-lhe esse nome em homenagem à velha, Rosemary.
- Estás em casa? - Perguntei admirado.
- Não me estás a ver aqui? Claro que estou! - Era igual à velha, tinham exatamente o mesmo feitio.
- Estava a tentar ser simpático! - Respondi arrogante. - Pensei que tivesses com os pais ...
- Pensaste mal! Mas já que queres tanto saber vou ter com eles agora. Até logo bailarino ... ai desculpa enganei-me ... ex-bailarino. Agora estás paraplégico! - Deu um risinho e depois desceu as escadas. Ao longe ouvi a porta a fechar.
Aquela miúda irritante estava quase a pagá-las mais uma ou duas provocações e ia fazer companhia à sua querida avó.
Fui para a casa de banho, tranquei a porta à chave e levantei-me da cadeira, tinha saudades da sensação de me poder mexer totalmente. Liguei a água, tirei a roupa e entrei no duche, já não recordava a forma da água a deslizar-me pelas pernas e eu a senti-la completamente, adorei.
Regressei ao quarto algum tempo depois, estava sentado na cadeira por precaução, fechei a porta e fui para junto da secretária, a seguir liguei o computador. Tinha uma mensagem da Mirna, enviada há quarenta e cinco minutos, li e respondi, segundos depois tinha a resposta dela. Passámos mais de duas horas à conversa quando lhe contei o facto de ser paraplégico, ela foi a única pessoa que não demonstrou pena, gostei disso, talvez existisse uma possibilidade de satisfazer algumas necessidades que foram acumulando ao longo destes meses. Quando olhei para o relógio estava quase na hora do funeral, despedi-me dela e liguei ao meu gémeo, estava a chegar.
Já estava na cemitério a assistir àquele espetáculo maravilhoso, só faltava o champanhe e uns aperitivos para ser o evento do ano, à minha volta as pessoas choravam e lamentavam a perda da velha, eu tinha levado uns óculos escuros apesar da chuva e da trovoada, os chapéus negros cobriam o local. Tinha chegado a hora dos familiares e amigos dedicarem algumas palavras, a minha família foi toda primeiro, era a minha vez quando a Rose começou a dizer que eu devia estar calado e não dizer nada porque ela nunca gostou de mim, o Isaac acalmou-a, eu ignorei-a e comecei a minha despedida.
- Querida avó, apesar de todas as divergências na nossa vida, mesmo depois de tudo o que me fizeste, eu perdoei-te por seres da minha família, do meu sangue. Infelizmente partiste cedo demais, deixaste este mundo mais pobre, um dia iremos estar todos juntos novamente mas até lá, espero que fiques a cuidar de nós aí em cima. Obrigado e um beijo. - Fingi emocionar-me, o discurso que eu pensara enquanto estava no banho tinha dado resultado, as pessoas olhavam para mim com os seus olhos brilhantes, estava com uma vontade tremenda de rir mas não o podia fazer. Inesperadamente senti uns braços ao meu redor e quando olhei para ver quem era ouvi a minha mãe a sussurar ao meu ouvido.
- Desculpa-me por tudo! Foram palavras muito bonitas. - Enquanto falava, chorava no meu ombro. O problema é que agora já era demasiado tarde para aceitar.
Algum tempo depois da farsa ter terminado voltei para casa e sentei-me ao computador a falar com a Mirna. O Isaac tinha ido dormir a casa delas, visto que estas moravam juntas. Ela perguntou-me do funeral e eu fiz-me de coitadinho e muito triste, ela preocupou-se e muito simpática ofereceu os seus abraços para me fazer sentir melhor. Resolvi começar a jogar. 
"Porque não vens cá a casa?"
"Isso seria uma espécie de primeiro encontro!" - Fantasiei com as suas palavras.
"Se quiseres vir ... Sabes onde estou!"
"Isso é um convite?"
"Entende como quiseres ... Quero um abraço!" - Utilizei frases de sedução para a atrair.
Meia hora depois nem tanto ouvi o som da campainha e pouco depois bateram à porta do meu quarto, disse para entrar e quando a porta se abriu eu vi-a. Era ainda mais gira pessoalmente.
- Olá! - Disse ela timidamente.
- Olá, entra, não fiques aí à porta! - Pedi.
Ela entrou e eu fui fechar a porta para termos mais privacidade, aproximou-se do meu rosto e deu-me um beijo na cara, seguido de um abraço. Bloqueei! Pela primeira vez senti algo diferente que nunca tinha sentido com outra mulher, um arrepio desde o fundo das costas até à cabeça, passando pela barriga, uma sensação quase inexplicável.  Retribui o abraço e o beijo.
Ficámos mais uma hora ou duas à conversa, durante esse tempo as nossas mãos tocaram-se várias vezes, sentia o seu aroma a cada instante e estava a ficar fascinado. Depois ela teve de se ir embora porque trabalhava no dia seguinte e ainda queria descansar.
Apesar de tudo não podia deixar o meu plano de lado e passei à primeira etapa, peguei no telemóvel, procurei o número que queria e marquei.
- Estou ... - Disse a voz do outro lado.
- Olá! Lembras-te de mim?
- Quem fala? - Questionou a pessoa.
- Atropelaste-me e agora perguntas quem fala? Pensavas que eu tinha morrido era? Não te preocupes que isso não aconteceu. Só te liguei para teres cuidado ... - E desliguei a chamada!
No lado de fora do quarto ouço o meu pai a bater à porta do quarto dele, pelos vistos a minha mãe tinha-se trancado lá dentro a chorar.
Tinha passado uma semana desde o funeral, o meu pai optou por levar a minha mãe numa viagem para esta poder descansar, o Isaac passava bastante tempo em casa da Arya e eu ficava fechado naquele quarto recebendo a companhia da Mirna diariamente enquanto a Rose me chateava a cabeça. A cada dia sentia-me cada vez melhor das pernas.
Estava no computador quando senti uma necessidade de voltar a dançar gigante. Levantei-me fui até à porta, tranquei-a e liguei a música, iniciei uma coreografia simples mas que me dava uma tremenda liberdade em realizar, de repente ouvi um estrondo na porta, sentei-me na cadeira e fui abrir, era a Rose.
- Porque é que tens a música a tocar? Para relembrar a tua antiga vida? Isso agora acabou. Estás numa cadeira de rodas para sempre! - Provocou.
- Nada é definitivo! - Respondi.
- Sonha com isso sonha! Olha, já que fizeste o favor de me incomodar venho dizer-te que logo vou a uma festa, vou sair daqui às oito.
- E quem é que autorizou? - Perguntei de forma a irritá-la.
- Tenho dezanove anos! Posso fazer o que quiser da vida ... - Começou até que a interrompi. - Estás à vontade!
Ela saiu e a minha vontade de lhe dar um tratamento especial estava a aumentar, ia ser naquela noite mas antes precisava de marcar um encontro com a Mirna também para essa noite, só que um pouco mais tarde, liguei-lhe e marquei.
Estava quase na hora da Rose sair, quando comecei a preparar o meu plano ...


Seleciona a opção com que pretendes continuar ...
 

fevereiro 02, 2016

02. Sentimentos Manipulados

Capítulo Anterior, aqui

02. Sentimentos Manipulados


Já tinha passado uma semana desde a minha queda nada acidental pelas escadas e três dias desde o regresso àquela casa onde todos me odiavam. Neste tempo fiz vários exercícios para fortalecer os músculos das pernas e fiquei a conhecer a namorada do meu irmão, achei-a simpática e bastante apaixonada por ele. A possibilidade de voltar a andar estava cada vez mais perto, já conseguia mexer os dedos dos pés.
Estava no quarto junto à janela a observar o avião que passava no céu e o rasto que este deixava para trás quando ouvi o Isaac a entrar, virei a cadeira e ele tinha-se sentado em cima da sua cama a olhar para mim, senti que precisava de falar comigo.
- O que se passa? - Questionei. - Estás com cara de caso!
- Tenho uma coisa para te contar mas não sei muito bem como começar! - Respondeu enquanto passava os dedos pelo cabelo.
- Que tal pelo inicio? Acho que é uma boa solução! Diz lá o que se passa. - Estava a ficar interessado no que ele me queria dizer.
- Então ... bem ... a ... - Só gaguejava e não dizia coisa com coisa quando o interrompi. - Isaac fala!
- A avó quer ver-te! - Disparou ele.
Fiquei em silêncio a pensar no assunto que a velha queria falar comigo mas como ainda tinha assuntos pendentes com ela aceitei sem qualquer objeção.
Passava pouco tempo das três da tarde quando chegámos ao parque de estacionamento do hospício, para ser mais rápido aceitei que o Isaac empurrasse a cadeira até ao interior do edifício. Quando entrámos fiquei no átrio e ele dirigiu-se até à receção para informar o que lá estávamos a fazer, esperámos uns minutos e a seguir surgiu um homem que nos levou até uma grande sala branca cheia de mesas retangulares castanhas, imediatamente associei a uma prisão só que mais clara, indicou-nos uma e disse que já trazia a nossa avó.
O Isaac estava nervoso, era a primeira vez que ele ia ver a velha depois do que ela me fizera, como lhe tinha dito logo no dia a seguir eu perdoava-a portanto ele deveria fazer o mesmo, claro que era mentira mas ninguém precisava de saber, eu só queria que ela sofresse, minutos depois ela entrou, sentou-se e fitou-nos.
- Olá meu querido neto, como estás? - Perguntou ela ao meu irmão.
Este olhou para mim, engoliu em seco e depois respondeu. - Bem!
A conversa prolongou-se por mais quinze minutos até esta lhe fazer um pedido.
- Será que agora podias deixar-me sozinha com o teu irmão? - Pediu ela.
- Acho que não é boa ideia ... - Começou ele a dizer quando o interrompi.
- Isaac não há problema! Espera lá fora por favor.
Este levantou-se, apoiou a sua mão no meu ombro, despediu-se, depois virou costas e saiu.
- Agora que estamos aqui só os dois podemos falar sem que ninguém nos ouça. - Começou ela. - Como foste capaz de te atirar pelas escadas e culpar-me? - Quis saber.
- Basta ter sangue frio e uma pequena dose de loucura. - Ri-me sarcasticamente.
- Tu és um monstro! Tu é que devias estar no meu lugar! - Elevou um pouco a voz.
- Não comece com os insultos ou tenho de gritar por ajuda. Eu no seu lugar? Essa roupa branca de louca assenta-lhe que nem uma luva. - Provoquei.
- Qual é o teu plano? De certeza que tens um! - Olhou-me diretamente nos olhos.
- Sinceramente? - Fiz uma pausa e continuei. - Fazer-vos pagar por toda a dor que senti durante estes anos em que fui excluído da família. Você é só a primeira!
- Nunca fomos obrigados a dar-te amor! Tu não fazes parte da nossa família, tu e o teu irmão são adotados, os planos deles sempre passaram só pelo Isaac, tu tiveste de vir também como extra, és um indesejado. Ainda lhes disse que seria melhor pensarem noutra criança mas já estavam demasiado apegados ao Isaac. - As suas palavras foram frias e frontais. No fim esboçou um sorriso de vitória.
Não estava à espera daquela notícia mas assim tudo fazia sentido, por não sentir amor por eles não fiquei magoado, só admirado e chocado por não ter descoberto aquilo mais cedo. O Isaac voltou a entrar na sala e disse que tinha uns recados dos pais para ela, eu resolvi sair e por o meu plano da última semana em prática ...
Algum tempo depois já estava no átrio à espera do meu irmão, o plano encontrava-se em marcha, na minha cabeça só pensava no último comentário da velha. Ele saiu e fomos para casa.
Estava no computador a ver o feed de notícias da rede social quando recebi um pedido de amizade, abri o perfil e era uma rapariga chamada Mirna, era bonita, por curiosidade fui ver algumas informações pessoais e acabei por descobrir que era irmã da Arya, acabei por aceitá-la e colocar gosto na sua foto.
Umas duas horas depois a mulher que seria a minha mãe adotiva entrou pelo quarto dentro com lágrimas na cara enquanto soluçava, o Isaac imediatamente perguntou o que tinha acontecido, eu fiquei com a certeza que o plano contra a velha tinha sido bem feito e apeteceu-me festejar mas não podia.
- A tua avó ... - Seguiu-se um mar de lágrimas e ranho.
A minha vontade de abrir uma garrafa de champanhe aumentava, aquilo merecia um brinde, nesse instante o meu suposto pai apareceu e revelou o que tinha acontecido enquanto abraçava a mulher.
- A tua avó foi encontrada asfixiada no quarto, dizem que se suicidou.
Um misto de emoções transpareceram na cara do meu irmão eu simplesmente fingi-me chocado.
Uma das coisas boas deste mundo é que é movido pelo dinheiro, quem tem suficiente para pagar consegue tudo aquilo que quer e foi o que me aconteceu, um funcionário a receber um miserável ordenado quando vê que a sua conta bancária pode aumentar em vários zeros não hesita e faz qualquer coisa para conseguir ter uma vida melhor. O que ele não esperava é que eu não deixo pontas soltas e a esta hora já está a fazer companhia à velha.


Próximo capítulo, aqui

Surpreendidos com os atos cometidos por ele?

janeiro 30, 2016

01. Escadas Traiçoeiras

Primeira Temporada Completa, aqui.
Último Capítulo da Primeira Temporada, aqui.


01. Escadas Traiçoeiras

A música tocava pelo salão, eu dançava à vista de todos, a liberdade que sentia era indescritível, a facilidade com que eu expressava as minhas emoções no corpo deixava todos rendidos ao meu desempenho. O meu sonho estava a realizar-se naquele momento, estava na sala mais consagrada do mundo a mostrar o meu talento inato a todos, um salto, um estalar de dedos, uma pirueta, o suor a descer-me pelo peito, uma dor, a falta de ar, a escuridão ... Acordei na cama paralisado como nos últimos seis meses, devo ter gritado porque nesse momento apareceu a minha avó materna a dizer para eu não gritar porque era de madrugada enquanto na cama ao lado, o meu irmão gémeo, Isaac, tentava acalmar-me.
Desde o acidente tinha-me instalado em casa da minha família onde moravam os meus pais, os meus irmãos e a minha avó. O Isaac recusava-se a deixar-me ficar sozinho em minha casa e convenceu a família a acolher-me, ele era o único de quem eu gostava e sentia algum carinho, todos os restantes elementos desprezam-me e eu a eles. Uma das condições imposta pelos restantes para eu ficar lá em casa era que teria de ficar no quarto dele, como quando éramos adolescentes.
A velha continuava a olhar para mim com o sorriso mais cínico que tinha, não gostava que eu tivesse ali mas ao mesmo tempo era um gozo eu ter ficado paraplégico mal sabia ela que já não era completamente verdade ...
Desde o dia em que despertara naquela clínica, há seis meses atrás, não passou um dia em que não fizesse fisioterapia para quem sabe poder voltar a andar. Só os fracos desistem de tentar!
Finalmente tinha desistido de estar ali a espiar na ombreira da porta, despediu-se do meu irmão com um beijo e regressou ao seu quarto, o Isaac sentou-se à beira da minha cama para falarmos.
- Foi o mesmo sonho? - Quis saber, visivelmente preocupado comigo.
- Sim! A merda é sempre a mesma. Nunca irei livrar-me deste pesadelo! E depois ainda tenho uma família que me adora como podes ver. - Ironizei.
- Eu estou sempre aqui mano! - A seguir deu-me um abraço, algo que já não fazia há imenso tempo o que me deixou quase sem palavras.
- Obrigado.
- Agora tenta descansar! Amanhã é um novo dia ... - Disse ele com confiança.
- É só mais um igual a tantos outros! - Afirmei.
- Gostava de te apresentar a minha nova namorada, isto se não te importares. - Ficou um pouco envergonhado, mas confesso que a cara dele deu-me vontade de rir.
- Então é por isso que andas diferente ultimamente, muito bem maninho! E como é que ela se chama?
- Não ando nada diferente, estou igual! Chama-se Arya.
Algumas horas depois acordei, o Isaac já se vestia, a minha roupa estava aos pés da cama, desde o primeiro dia que ele a colocava lá para me ajudar. Com alguma dificuldade lá me fui vestindo, ele ainda perguntou se eu precisava de ajuda mas esta era uma tarefa que eu tinha de fazer sozinho para ter alguma autonomia.
O principal obstáculo naquela casa eram as escadas, não tinha como as subir ou descer sozinho por isso precisava sempre da ajuda dele. Como consequência, desde o primeiro dia que sempre fizera as refeições no quarto, sentado junto à secretária. Esta foi outra condição imposta por eles, se quisesse comer teria de contribuir para tal. Nunca percebi o ódio que eles me tinham, sendo igual ao meu irmão, nunca conseguiram gostar de mim como dele. Certo dia até ouvi do meu pai que devia ter morrido no dia em que nasci.
Depois do pequeno-almoço, o Isaac precisou de sair, fiquei em casa sozinho com a desgraçada da velha e o resto da minha família.
Era nestes momentos de solidão que aproveitava para por o meu plano de vingança em prática, apesar de todos estes meses incapaz de me vingar iria chegar o dia em que a pessoa que me atropelou iria pagar com a sua vida mas até lá preparava detalhadamente toda a ideia, de repente e sem bater a velha entrou pelo quarto.
- Oh deficiente sabes dizer-me onde é que o teu irmão tem a chave extra cá de casa? - Resolvi ignorá-la e continuar a olhar pela janela, a minha vontade de a esganar aumentava, sentia uma ligeira necessidade de ouvir os seus ossos do pescoço a partirem-se. - Para além de paraplégico agora também ficaste surdo? - A minha paciência estava a chegar ao fim.
No segundo seguinte senti a sua mão a agarrar-me nos cabelos e a puxar, levantei a mão e agarrei-a no pulso.
- Nem sonhe voltar a tocar-me! Eu mato-a! - Ameacei enquanto lhe apertava o pulso.
O choque no seu rosto foi imediato, riu-se, virou-me as costas e saiu.
Respirei fundo e tentei controlar a minha vontade de a calar de vez, mas já não dava era mais forte do que eu. Uma ideia surgiu-me, teria de sofrer um bocadinho mas iria compensar. Ao longe vi que o meu irmão estava a chegar, estava na hora de passar à ação, dirigi-me com a cadeira de rodas para o quarto da velha e entrei sem bater, ela olhou para mim e começou logo a questionar.
- Não sabes bater à porta deficiente? - A sua voz transparecia nojo.
- Aprendi a boa educação com os melhores. - Respondi ironicamente.
- Sempre te deram tudo aqueles dois que estão lá em baixo. O que devias fazer era desaparecer da nossa vida. - Disse ela exaltada.
- Eu prometo que desapareço depois da senhora! - Ri-me na cara dela.
- Insolente! Nunca devias ter nascido, o Isaac é suficiente! - Ouvi a porta da rua a bater.
- Quando é que morre? Vou ficar tão feliz no dia do seu enterro! - E com esta provocação saí do quarto. Tal como tinha previsto ela foi atrás de mim, estávamos no corredor, ela chamava-me deficiente, fui para o pé das escadas, os gritos faziam-se ouvir pela casa toda.
- Volta aqui deficiente! Seu cobarde. - Gritava ela.
- Pare de me chatear, eu não lhe fiz nada. - Respondia também alto.
- Vais rezar para não teres nascido! - Ameaçou ela.
Ouvi os passos a aproximarem-se no piso inferior, a velha agarrou-me e eu gritei.
- Não! Por favor não faça isto. Pare por favor! - Ela olhava para mim sem perceber nada, eu tinha-a agarrado para não me soltar, quando vi que se estavam a aproximar, lancei-me contra o vazio das escadas largando a velha, senti o impacto quando bati nos degraus e rolei escadas abaixo.
- Você tentou matar o meu irmão! - Foi a última coisa que ouvi do Isaac antes de desmaiar.
Acordei poucas horas depois no hospital, o Isaac estava sentado a olhar para mim.
- Como estás?
- Dorido, mas acho que bem! - De repente senti uma coisa que já não sentia há seis meses, comichão nas pernas, discretamente cocei, ele não percebeu.
- Eu sempre percebi que a avó nunca gostou muito de ti mas jamais pensei que fosse capaz de te matar. - Exprimiu ele o seu pensamento.
- Onde é que ela está? - Questionei interessado.
- No único sitio onde os loucos devem estar! - Respondeu rapidamente. - No hospício!
Por dentro senti uma enorme satisfação, confesso que até correra melhor do que esperava. Mas mesmo assim ainda não estava completamente agradado, ela merecia pior.
Mudando para um assunto mais interessante dele disse. - Parece que o encontro com a tua namorada tem de ficar para outro dia, lamento.
- Não há problema! Ela entende. - Depois sorriu.
Na minha cabeça só me passavam imagens da velha com roupas brancas e a gritar, tive vontade de rir mas não o fiz.
Nesse momento tomei uma decisão ...


Próximo capítulo, aqui

O que acharam deste inicio de temporada? Surpreendidos?