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outubro 07, 2015

10. MARC

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10. MARC

De: Marc (Eu)
Para: Aaron
Assunto: Podes vir?

Mano, quando puderes vem cá a casa, preciso de desabafar com alguém. 
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Já tinham passado algumas horas desde o acontecimento, agora encontrava-me mais calmo, principalmente por tudo ter sido só um susto, tinham conseguido reanimar o Henri nos últimos segundos.
A Kate ainda não me respondera às chamadas, resolvi não lhe ligar e esperar que dissesse alguma coisa. Enquanto ele recuperava no hospital, sempre vigiado por um médico, vim para casa. 
Quando cheguei o objetivo era descansar, mas tinha chegado à conclusão, durante o caminho, de que se o juiz sabia sempre o que acontecia é porque me espiava, então decidi começar a procurar câmaras e microfones ocultos pela casa toda. O primeiro local a revistar era o meu quarto, abri a porta e fui para o meio dele, olhei em redor pois as câmaras podiam estar em todos os lugares, serem qualquer coisa e ter um tamanho indeterminado. Tudo parecia igual, nada estranho ou fora do sítio à primeira vista, a seguir comecei a focar-me num determinado espaço durante alguns segundos a ver se algo sobressaía, observei a estante e só lá estavam os livros, depois olhei para cima, onde estavam as prateleiras com os troféus do basquetebol e reparei que no meio deles estava um troféu que não parecia meu, aproximei-me e peguei nele, imediatamente tive a certeza que não era meu, o título era sobre a vitória num jogo de futebol, desporto que nunca pratiquei. Examinei o objeto e descobri uma microcâmara embutida na taça com microfone incluído, pousei-a na secretária e fui à cozinha buscar um saco do lixo preto, a seguir parti-a e joguei-a para dentro do mesmo. Sentei-me na secretária a pensar há quanto tempo aquilo estaria ali quando de repente me apercebi que no quadro de cortiça em frente, estava mais uma microcâmara disfarçada como pionés, arranquei-a e meti-a no saco.
Uma hora depois tocaram à campainha, era o Aaron.
- Oi, o que tens? – Perguntou-me ele preocupado.
- Entra, já falamos. – Respondi olhando para o corredor a ver se não estava lá ninguém ou algo a espiar.
- Marc o que se passa? Porque é que tens tudo fora do sítio? Foste assaltado? Temos de ligar já à polícia! – Falava ele sem respirar, enquanto pegava no telemóvel.
Tirei-lhe o telemóvel da mão e pedi-lhe para se sentar no sofá, ele olhava para mim sem perceber nada, mas era paciente.
- Chegou a altura de contar toda a verdade, eu preciso de desabafar com alguém. – Tinha chegado o momento de contar tudo sobre o juiz a alguém.
Depois de lhe ter contado tudo, ele repreendeu-me. – És completamente burro! Qual a necessidade de estares a passar por isto tudo sozinho? E caso não te lembres aqui o teu amigo sabe bastante de informática para te ajudar. Podemos começar por tentar localizar o destino das imagens, porque são transmitidas via Wi-Fi, basta ligar o aparelho a um computador e conseguimos ver o local do recetor das gravações.
- Eu não te queria envolver para ele não ter oportunidade de te fazer mal. – Desculpei-me.
- Sim, está bem. Tens sorte porque ando sempre com o portátil, logo podemos tratar já desse assunto. Onde estão as câmaras? – Perguntou empolgado.
- Todas dentro de um saco do lixo no meu quarto. – Respondi ansioso para saber a localização do juiz.
Ele dirigiu-se para lá, sentou-se na secretária e ligou o computador dele. Eu sentei-me na cama a observar tudo, retirou uma das câmaras e ligou-a com um cabo estranho ao computador, depois abriu um programa e começou a busca.
- Agora só temos de esperar, enquanto o programa procura a origem. – Disse ele olhando fixamente para o portátil.
Aquele seria o dia em que eu iria descobrir a morada do juiz e ter um ajuste de contas com ele por tudo o que fez.
- Está quase! – Gritou o Aaron.
Aproximei-me da secretária e quando olhei para o ecrã vi o mapa-mundo com várias luzes a piscar, não percebia nada daquilo. – Onde é que ele está?
- Merda! – Gritou. - Não sei, ele manipulou a localização, é impossível encontrá-lo.

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De: Desconhecido
Para: Marc (Eu)
Assunto: Achas mesmo?

Mesmo sem câmaras e microfones eu continuo a controlar todos os teus passos! Achas que me irias encontrar assim tão facilmente?

O Juiz.


Gostaste deste capítulo? Já tens algum suspeito? Tens algum amigo como o Aaron?

setembro 03, 2015

09. KATE

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09. KATE

De: Mãe
Para: Kate (Eu)
Assunto: Quando chegas?

Olá filha chegas a que horas? Está cá o Nathan a fazer-me companhia, gostava que finalmente se conhecessem.
Beijinhos.
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Acordei em casa da Joana, no quarto de hóspedes, a luz entrava pelas janelas do quarto enquanto o silêncio imperava naquele espaço. Depois de responder à minha mãe, sentei-me na cama e decidi ligar ao Marc, visto que ontem já era muito tarde, fiz duas tentativas mas a comunicação não era efetuada, o telemóvel não estava a dar para ligar.
Saí da cama e vesti-me, aquele dia seria para recordar, iria conhecer o namorado na minha mãe, sempre a incentivara a procurar uma nova paixão depois do divórcio com o meu pai. Arrumei a cama e fui até ao quarto da Joana para me despedir dela, bati levemente para não a acordar, como não respondeu resolvi entrar e qual não foi o meu espanto quando vi que ela e o Nick estavam a dormir lado a lado, agarrados. É certo que eles parecem aqueles casais lindos dos filmes que ficam muito bem juntos mas fiquei sem saber o que fazer, não os queria acordar, mas também não os devia deixar ali, eles estavam bêbedos da noite anterior. Não sei se foi a melhor opção mas optei por sair e deixar um bilhete na sala para a Joana, “Tive de ir embora! Quando acordares liga-me, acho que vais querer desabafar.”.
Depois de ir buscar o carro à garagem dirigi-me para casa. Quando lá cheguei ouvi risos vindos da sala, deixei a mala no quarto que ficava em caminho e depois fui até à sala. Cumprimentei-os, a minha mãe estava mais nervosa que eu, talvez pensa-se que eu não fosse gostar dele, mas isso não me importava. A única coisa que eu desejo é que a minha mãe seja feliz depois de tudo o que sofreu nas mãos do meu pai, as agressões físicas e psicológicas, todas as traições de que foi alvo até ao dia em que gritou basta e lhe pediu o divórcio. Desde o dia em que assinaram os papéis, há mais ou menos quatro anos, nunca mais vi o meu pai, ele desapareceu por completo da minha vida mas também não me afeta nada, ele era um monstro.
Sentei-me no sofá, enquanto conversávamos observava a fisionomia do corpo dele, era mesmo o estilo da minha mãe, moreno, barba de três dias, olhos verdes, cabelo liso castanho e magro, não tinha o corpo trabalhado mas também não tinha gordura. Descobri que era gestor de um banco, muito simpático e acima de tudo, completamente apaixonado pela minha mãe.
- Gostas de viagens? – Perguntou-me curioso.
Resolvi ser completamente honesta. – Nunca viajei muito, mas tenho o sonho de dar a volta ao mundo, quem sabe um dia. Primeiro quero ir à Suíça!
- Suíça? Posso saber porquê, se não for indiscrição? – Perguntou sendo o mais educado possível.
Imediatamente corei, não estava habituada a falar do Marc com as pessoas, exceto a minha mãe e a Joana. – O meu namorado mora lá e gostava muito de conhecer o país dele.
- Deve ser complicado! E ele foi para lá há quanto tempo? – Quis saber.
Ia explicar quando a minha mãe me cortou a palavra e lhe respondeu por mim. - Ele sempre esteve lá amor! É daqueles relações que começou pelas redes sociais. 
- Ah, já percebi. Eu sou a favor de todos os tipos de relações, desde que as pessoas se amem o resto não importa. – Disse ele descontraído. – O importante é que sejas feliz! – Sorriu.
Fiquei a olhar para ele de boca aberta, se já concordava com a relação deles agora já gostava mesmo dele. Ela não podia ter arranjado ninguém melhor.
Depois de mais algum tempo de conversa, pedi licença e fui para o meu quarto, assim também os deixava mais à vontade. Fui ao computador ver se tinha alguma mensagem do Marc mas nada, tentei enviar-lhe uma mas não conseguia, o sistema não deixava ser entregue, dizia sempre pendente. Já começava a achar estranho, mas talvez existisse algum problema com a rede. Nesse momento o meu telemóvel tocou, pensei que fosse ele, mas era só uma mensagem da Joana a saber se estava em casa e se podia passar por aqui, respondi-lhe e tentei ligar para o Marc, mais uma vez a chamada foi barrada, já estava a ficar irritada, não conseguia contactar com ele de maneira nenhuma. Quando ia tentar ligar mais uma vez, recebi uma chamada do Nick.
Mal atendi ele disparou. – Nem imaginas o que aconteceu! Eu e a Joana acordámos na mesma cama. Não sei o que fazer e …
Tive de o interromper porque ele não se acalmava. – Nick tem calma! Agora já aconteceu, a culpa foi vossa, dos dois, quem vos manda beber em excesso? Não se sabem divertir bebendo menos? – Eu sei que parecia uma mãe a falar mas ele merecia o sermão.
- Fui um irresponsável, agora estraguei tudo com ela, de certeza que nunca mais vai querer olhar para a minha cara e eu gosto dela. – Era a primeira vez que admitia o que sentia, fiquei sem saber o que dizer, mas perguntei-lhe.
- Se gostas dela porque não lhe dizes? Qual é o objetivo de andarem a brincar ao gato e ao rato? Vocês ficam lindos juntos!
- Obrigado. Kate, ela já te disse alguma coisa? – Perguntou ele embaraçado, notava-se na voz.
- Nick, eu vi! Eu fiquei lá a dormir. Não vos acordei porque senti que deviam ser vocês a resolverem o assunto. Mas ela ainda não falou comigo. – Disse eu.
Nesse momento a campainha tocou, era a Joana, quando me enviou a mensagem já tinha de vir a caminho. Despedi-me do Nick e abri-lhe a porta. Também lá estava a Emily e a Angie, a Joana olhou para mim com uns óculos de sol e dirigiu-se para o meu quarto. Aquilo era estranho, a energia em pessoa estava quieta. Sentou-se na minha cama, baixou a cabeça e tirou os óculos. Sentei-me em frente dela e fiquei a olhar. A Emily e a Angie sentaram-se ao redor.
- Tu viste não foi? – Perguntou ela quase a chorar.
- Sim! – Já não sei se fiz o correto mas agora não posso mudar nada.
- Devias ter-me chamado, agora ele nunca mais vai querer olhar para mim. Já dormiu comigo, já não lhe interesso. Os rapazes são todos iguais! – Enquanto falava as lágrimas corriam-lhe pelo rosto.
- Não! Não, o Nick, não é assim! Ele gosta de ti e tu sabes disso. Ele é diferente, assim como o Marc, são especiais. – Desta vez não concordava com ela, os rapazes não são todos iguais.
- O Isaac também é especial! – Disse Angie rapidamente. Todas nos rimos do comentário.
- Abraço de amigas! – Pediu a Emily de braços abertos. Nesse momento a Joana já tinha parado de chorar.
Pedi-lhe para contar tudo o que tinha acontecido e ela assim fez. Revelou-nos que tinha acordado com a cabeça em cima do peito dele, enquanto ele com a mão lhe mexia no cabelo, depois quando lhe olhou nos olhos este ficou muito sério, pediu desculpa, vestiu-se e saiu. Todas ficámos a olhar para ela porque tinha percebido mal a situação, ele tinha fugido porque estava confuso e envergonhado, não por não querer nada com ela.
Nesse momento a minha mãe bateu à porta e entrou no quarto, ficou surpreendida por nos ver todas lá dentro.
- Olá meninas, não vos ouvi entrar. Como estão?
- Bem! – Responderam elas em coro.
- Vinha-te dizer que o almoço está pronto. O Nathan come connosco! Querem ficar também meninas? – Perguntou ela sempre simpática.
- Obrigado mas não, temos de ir embora. – Respondeu a Emily educadamente.
- Muito bem, são sempre bem-vindas. – Sorriu-lhes e depois saiu em direção à sala de jantar.
- Quem é o Nathan? – Perguntou a Angie curiosa.
- É o namorado na minha mãe.
- Ah finalmente! – Respondeu ela satisfeita.
- Bem mas vamos embora. Obrigada por me ouvires. – Disse a Joana.
- Não sejas parva, não tens de agradecer.
Levei-as à porta, ia a caminho da sala quando o telemóvel apitou.

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De: Desconhecido
Para: Kate (Eu)
Assunto: Sem Rede?

Vês como consegues ter um dia sem a interferência do suíço! Afinal tomei uma boa decisão ao cortar-vos a ligação.

O teu protetor, um beijo.


Gostaste deste capítulo? Terias acordado o Nick ou a Joana? Qual a tua opinião sobre o Nathan?

julho 01, 2015

08. MARC

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08. MARC

De: Marc (Eu)
Para: Desconhecido
Assunto: Ajuste de Contas!

Vais pagar por tudo o que fizeste! Eu vou descobrir quem és e depois vamos ajustar contas.
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Já tinha feito algumas chamadas para a Kate, todas sem resposta, desisti de tentar e olhei para a minha casa vazia, sem ninguém, sem ruídos, só eu no meio do nada. Tinha de sair dali, tinha de enfrentar o medo, as lágrimas corriam-me pelo rosto enquanto procurava um táxi que me levasse ao hospital. Depois de descobrir um, demorei vinte minutos até lá, a estrada estava vazia, o que fez com que chegasse rapidamente.
Paguei a minha conta e corri para o interior, cheguei à receção e perguntei pelo meu irmão, ao telefone não me tinham explicado bem o que era, só tinham pedido para me dirigir o mais rapidamente para ali porque era grave. A rececionista pediu para me acalmar, mas tal era impossível o meu irmão podia estar em risco de vida.
Implorei para que me deixassem vê-lo. Sendo a única pessoa que me conhece por completo não o podia deixar sozinho, eu tinha de conseguir estar com ele.
A médica que estava a tomar conta do meu irmão apareceu e eu expliquei-lhe a situação toda, éramos só nós os dois, um para o outro visto que os nossos pais estavam mortos. Sensibilizada deixou-me entrar mas teria de ser rapidamente, porque tal era proibido.
Entrei no quarto e encaminhei-me para o pé da cama, quando olhei para ele fiquei assustado, Henri estava coberto de ligaduras, a única parte do corpo parcialmente descoberta era a cara, ou melhor, os olhos, o nariz e a boca, de resto todo o corpo parecia mumificado, para além disso estava em coma, só se ouvia o apito do aparelho do ritmo cardíaco.
- Mas ... mas o que aconteceu? - Questionei chocado com o que via.
- Foi uma explosão! O seu irmão estava acompanhado pelos amigos quando tudo ocorreu. Henri foi o único que sofreu ferimentos críticos, porque era o que se encontrava mais perto do carro, os restantes elementos estavam mais longe. Pelos relatos ele tinha ido buscar o carro ao parque de estacionamento. - Explicou a médica calmamente.
- Mas como é que o carro explodiu? - Perguntei, enquanto as lágrimas me desfocavam a visão.
- Pelo que percebi, o carro explodiu quando o seu irmão acionou o trinco, mas a polícia já está a investigar as causas.
O trinco do carro, tecnologia portanto, fácil para o juiz conseguir trabalhar. Esta pessoa seja ela quem for, não se vai ficar a rir com o que aconteceu, ele iria pagar pelo que fez, a dor do Henri iria ser vingada.
- Como é que ele está? Vai sobreviver?
- O prognóstico é ainda muito reservado, como vê o seu irmão encontra-se ligado às máquinas, as próximas horas serão decisivas. Mas agora terá de sair, já o deixei ver. - Pediu ela.
Aceitei e junto a ela dirigi-me para a saída, quando alcancei a porta ouvi a voz dele a chamar-me. Corri para junto do meu irmão e pedi-lhe para se acalmar e não se cansar. A médica foi chamar a restante equipa para fazerem as análises e verem como ele estava, deixando-me ali a pedido do meu irmão.
- Mano, como estás? - Perguntei preocupado.
- Cansado e tenho sede. - A sua voz estava diferente, mais baixa e arrastada, sem vida.
- Lembraste do que aconteceu?
- Mais ou menos ... lembro-me de chegar ao carro ... receber uma mensagem a dizer "BUM" e ... e depois abrir o carro e ... e não me lembro de mais nada ... - Respondeu ele calmamente.
- Deixa estar, agora não interessa. Descansa. - Sugeri.
- Podes por música por favor? - Pediu ele com a voz cansada.
Tirei o telemóvel do bolso e abri na pasta das músicas, carreguei no play e começou a tocar o "See You Again".
- Essa é boa, deixa ficar. Gosto dela! - Disse ele sussurrando.
Coloquei levemente a mão por cima da dele, a ligadura estava entre as nossas peles a cicatrizar a dele. Era uma imagem terrível para se ter, a única pessoa que merecia algo assim era o juiz, a respiração do Henri estava mais pesada, notava-se que lhe custava respirar sem auxílio.
- Quero que me ouças até ao fim e não me interrompas, está bem? - Perguntou ele.
- Sim claro. - Respondi imediatamente. - Diz?
- Já tens idade suficiente para conseguires criar a tua vida sozinho, tens uma casa, a herança dos nossos pais e os valores que te dei ...
- Henri, por favor ... - Interrompi-o a chorar.
- Deixa-me continuar. - Disse ele. - Não acredito que dure muito mais tempo, sinto-me esquisito, a respiração é complicada ... Quando chegares a casa quero ... quero que vás ao meu quarto e ... e que abras uma caixa que está guardada debaixo da cama ... depois faz ... faz o que lá tiver escrito, por favor não te esqueças. Desculpa tudo o que te disse sobre a Kate ... se é dela que gostas, luta com todas as tuas forças e não desistas dela, mas se for outra rapariga qualquer só quero ... que sejas feliz. Sabes que gosto muito de ti ... és ... és o meu maninho ... estarei ... estarei contigo sempre ... no teu coração ... - Imediatamente as máquinas começaram a apitar, o aparelho do ritmo cardíaco estava numa linha reta, o coração dele estava a parar. Enquanto isso a música tocava pelo telemóvel.
- Henri? Henri? - Gritava enquanto chorava. - Estarás sempre comigo! Nunca me vou esquecer de ti. - Agarrei-lhe a mão com força. - Enfermeira, enfermeira, ajudem-me. - Gritava virado para a porta.
Nesse instante entrou a equipa médica do meu irmão, as máquinas continuavam a apitar, um dos médicos agarrou-me e levou-me para o lado de fora do quarto, comigo trouxe o telemóvel.
Estava com uma dor de cabeça gigante, a música continuava a tocar e foi nesse momento que recebi uma mensagem.

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De: Desconhecido
Para: Marc (Eu)
Assunto: Quem ri por último, ri melhor!

OPS ... Parece que o coração de alguém não aguentou. Eu avisei que devias ter seguido as minhas ordens. Espero que agora sejas um menino certinho. Os meus sentimentos pelo teu irmão.

O Juiz.



Gostaste deste capítulo?  O Marc deve parar de lutar pelo amor da sua vida? O que achas deste desconhecido?

junho 28, 2015

07. KATE

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07. KATE

De: Kate (Eu)
Para: Desconhecido
Assunto: Mas como?

Quem és tu? Como é que sabes que estive no aeroporto? Como sabes que tenho uma amiga que se chama Joana? Como sabes tanta coisa sobre mim? E o que queres dizer com por o Marc a chorar?
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Já me começava a assustar o facto deste desconhecido saber tanta coisa sobre mim, tinha-lhe respondido à tarde e desde então não obtivera nenhuma resposta.
Ainda estava em casa da Joana, ia lá jantar com o nosso grupo de amigos e depois íamos sair à noite, já tinha ligado à minha mãe a avisar.
Enquanto ela acabava de tomar um banho rápido eu pus a mesa, entretanto as pizzas, que ela tinha encomendado, chegaram, paguei ao homem com o dinheiro que a Joana tinha deixado em cima do aparador e depois levei-as para a mesa, onde as deixei fechadas para não arrefecerem.
A Joana tinha saído do banho e já se encontrava vestida, trazia no corpo um macacão calça preto muito giro por sinal que combinava com o bronze da pele dela, o cabelo estava penteado para o lado.
Tocaram à campainha e fomos as duas abrir a porta, do outro lado estavam os nossos amigos, o Michael, a Emily, a Angie e o Isaac, que são namorados, mas faltava o Nicholas, ou Nick para os amigos.
- Olá amiga como é que correu a viagem? - Gritou Angie enquanto corria para os braços de Joana.
- Estás a sofocar-me Angie! Só estive fora um mês. - Disse-lhe ela, tentando afastá-la.
- Sim, mas tinha saudades tuas, não nos víamos há algum tempo.
- E que tal se entrarmos todos não? - Sugeri.
- Sim, isso é uma excelente ideia. - Disse Michael entrando.
Todos nos sentámos nos sofás a conversar, Emilly e Angie pediam novidades sobre a viagem e eu conversava com os rapazes.
- Onde anda o Nick? - Perguntei curiosa. Não era hábito ele chegar atrasado, principalmente quando a Joana estava presente, ambos gostavam um do outro mas não admitiam.
- Ele foi só buscar uma coisa de última hora já vem! - Respondeu Isaac enquanto trocava olhares cúmplices com Michael.
- Hum, está bem, eu não gosto desses vossos segredinhos. - Respondi, fingindo-me, amuada. A campainha voltou a tocar, só podia ser uma pessoa. Olhei para os rapazes e disse. - Agora vou descobrir!
- Espera não vás abrir a porta! - Pediu-me o Michael. - Joana tocaram à campainha vai lá.
- És um chato! Está bem, eu vou. Não podias ter ido lá? - Disse ela enquanto se encaminhava para a porta.
Olhava para os rapazes que trocavam risos entre si, eles sabiam o que ia acontecer e eu estava cheia de curiosidade.
Joana abriu a porta e do outro lado apareceu o Nick com um ramo de flores para ela.
- Olá, são para ti, espero que gostes! - Disse Nick entregando-lhe o ramo.
- Oh, obrigada, são lindas e ... - Agradeceu Joana um pouco tímida. Desde que a conheço só a vi tímida ao pé do Nick, porque de resto parece outra pessoa.
- E as tuas favoritas, eu sei! - Completou ele.
Ai eles são uns amores, tinha mesmo de fazer alguma coisa para mudar aquela falta de palavras.
Trocaram um beijo na cara e dirigiram-se para o pé de nós, ele cumprimentou-nos e depois fomos para a mesa, as pizzas já deviam estar a arrefecer.
Cada um se sentou onde quis. No lado direito de Joana sentou-se o Nick, enquanto do lado esquerdo estava o casal do grupo que trocava carícias, ao olhar para eles senti saudades do Marc, seria tudo muito mais divertido se ele estivesse ali. Eu, o Michael e a Emilly ficámos nos lugares restantes.
Depois de comermos e falarmos, fomos sair à noite, mas antes tirámos uma fotografia de grupo e deixámos os telemóveis em casa dela para não os perdermos.
Chegámos à discoteca, estava a tocar "Open Wide" do Calvin Harris. Todos fomos pedir bebidas, eu pedi algo sem álcool porque não queria beber, a Joana pediu algo forte, ela gostava de beber. Depois fomos para a pista de dança, estávamos todos juntos quase no meio da pista a divertir-nos, olhei para o lado e reparei que o Isaac e a Angie estavam aos beijos ali no meio das pessoas e das luzes, os restantes divertiam-se mais afastados. Estava um ambiente fantástico, tínhamos de fazer saídas de grupo com mais frequência.
Algum tempo depois a Joana e o Nick já tinham bebido um pouco em excesso e estavam mais desinibidos um com o outro, estavam a dançar agarrados, as mãos destes roçavam um no outro, continuavam a beber e eu não sabia o que fazer, falei com a Emilly e com o Michael que ainda estavam sóbrios e ambos me disseram que eles estavam a fazer o que não têm coragem de fazer sóbrios, concordei mas não achava que era a fórmula correta. Voltei a dançar mas sempre a olhar para eles, não queria que ambos se arrependessem depois. A Angie chamou-me e perguntou se não podíamos todos ir embora, eu concordei e fui chamar os restantes, quando olhei para a Joana e para o Nick estavam a beijar-se, achei romântico mas um pouco irresponsável fazerem aquilo bêbados.
Saímos todos da discoteca, eu e a Emilly ajudámos a Joana que não conseguia andar normal e o Isaac e o Michael ajudaram o Nick que se encontrava no mesmo estado, a Angie ia a ver se alguém precisava de ajuda. Pelo caminho a Joana ia cantando músicas aos altos berros ou então falava com os postes da luz, como se fossem pessoas.
Como fomos a pé, visto que não era longe, chegámos rapidamente ao apartamento dela, a Angie abriu as portas e depois fomos por a Joana na cama que logo adormeceu, o Nick ficou num dos sofás e também se deixou dormir. Os restantes foram-se embora, mas eu achei melhor ficar ali caso algum deles precisasse de ajuda.
Peguei no meu telemóvel para ver as horas e vi que tinha cinco chamadas do Marc e uma mensagem de um número não identificado, olhei para as horas, já era tarde para lhe ligar, falava com ele amanhã. Entretanto fui ler a mensagem.

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Eu sei tudo sobre ti Kate! Gostei muito de acompanhar a tua noite. Reparei que não bebeste e que cuidaste dos teus amigos, fizeste muito bem.
Sobre o Marc falamos amanhã.

O teu protetor, um beijo.

Gostaste deste capítulo?  O que achas que vai acontecer?

junho 25, 2015

06. MARC

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06. MARC

De: Marc (Eu)
Para: Desconhecido
Assunto: Sonha com isso!

Não sei quem és, mas também não me interessa. Deixar a Kate? Deves estar a sonhar. Nem 48, nem 24, eu NUNCA a vou deixar!
E queres pôr-me a chorar? Ui, estou cheio de medo.
Vai chatear outro!
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Não sei quem é o "juíz" mas já me começa a irritar, talvez deva falar sobre este desconhecido à Kate, mas tenho receio.
Olhei para as horas e vi que era uma da manhã, desliguei o computador e fui à cozinha beber água, peguei num copo e enchi-o.
O meu irmão ainda não tinha chegado, resolvi ligar-lhe para saber se estava tudo bem e se vinha dormir a casa. Arrumei o copo na máquina de lavar e depois peguei no telemóvel, onde procurei o número dele.
Começou a chamar e pouco depois ele atendeu. - Estou mano, tudo bem? - A sua voz já estava normal, notava-se até algum entusiasmo.
- Olá, sim está tudo bem. Só queria saber se vinhas dormir a casa ou se ficavas em casa de algum colega teu.
- Sim vou para casa mais daqui a pouco, mas não precisas de ficar à minha espera, vai dormir. - Respondeu ele. Ao longe ouvi vozes e música, estavam num bar.
- Tu levaste o carro! Não estás a beber pois não? - Perguntei preocupado.
Ele riu-se e perguntou - Mas quem é irmão mais velho? - Riu-se novamente e voltou a falar. - Sabes que quando conduzo, não bebo, não te preocupes. Vai dormir e até amanhã.
- Então diverte-te! Até amanhã. - Disse-lhe antes de desligar a chamada.
Coloquei o telemóvel em cima da mesa da sala e acendi a televisão, como não tinha sono, liguei o wireless desta e escolhi um filme através da minha conta online para ver. Fui passando as novidades até que apareceu um filme recente que eu queria muito ver, escolhi-o e sentei-me confortável no sofá. O filme começou a dar, tinha-me esquecido de trazer pipocas e apagar a luz. Meti o filme em pausa e fui fazer pipocas doces, depois voltei para a sala e sentei-me, carreguei no botão e o filme continuou a dar, faltava as luzes, bati as palmas e estas apagaram-se.
Algum tempo depois acordei com as luzes a acenderem-se, olhei em redor e não estava lá mais ninguém. Tinha-me deixado dormir, o filme já tinha acabado mas no ecrã estava uma mensagem para mim, "Está na hora de despertar! Chegou a tua vez de chorar, espero que te tenhas despedido... Atende o telemóvel que irá tocar brevemente. O Juíz".
Fiquei a olhar para aquilo sem perceber nada do que se estava a passar, nesse momento o telemóvel tocou, atendi, ouvi o que me disseram e depois caí de joelhos no chão, as lágrimas invadiram-me o rosto e só me apeteceu matar "o Juíz". Peguei no telemóvel e liguei à Kate, ela ainda devia estar acordada, não me atendeu, voltei a ligar e nada. Ela não me atendia e eu não tinha mais ninguém com quem falar. Ia desligar a televisão quando surgiu outra mensagem.

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Tu és o culpado! Não cumpriste o que eu disse, agora vai sofrer as consequências dos teus atos.
Só mais uma coisa, adorei ver-te a chorar.

O Juíz.


Gostaste deste capítulo? Estás curioso(a)? O que achas que vai acontecer?

junho 23, 2015

05. KATE

De: Joana
Para: Kate (Eu)

Assunto: CHEGUEI!

Olá amiga, então como estás? Já cheguei ao aeroporto! Fico à tua espera.

Beijinho
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Joana é a minha melhor amiga, é portuguesa e mudou-se para Nova Iorque para poder seguir os estudos, está cá há um ano.
Depois de lhe responder, saí de casa e encaminhei-me para o aeroporto. Não estava muito trânsito àquela hora, chegando assim rapidamente. Estacionei o carro no parque das chegadas e dirigi-me para a área de receção, o local estava cheio de gente, era impossível descobrir a Joana naquele espaço, optei por lhe ligar.
Nesse momento começou a tocar a música que eu e ela mais gostamos, "Shake it Off" da Taylor Swift. Do outro lado da linha, Joana atendeu com um berro e a cantar a música.
- Onde é que estás? - Perguntei divertida por a ouvir a cantar.
- Já chegaste? Eu estou ao pé do café, chama-se ... chama-se Gold! - Respondeu ela enquanto trauteava a música.
Olhei em redor à procura do café, encontrei-a, estava encostada à arca dos gelados. - Já te vi, olha para a direita!
Ela olhou e eu meti-me a acenar, ela gritou o meu nome e desligou a chamada. Pegou nas duas malas e veio a correr na minha direção, quando já estávamos juntas ela deu-me um abraço e começou a cantar e a dançar à minha frente, que vergonha, as pessoas estavam a começar a olhar.
- Joana para! Está tudo a olhar. - Pedi-lhe a sentir-me envergonhada.
Ela não me respondeu e começou a cantar mais alto ainda. - Junta-te a mim ... é a tua vez. - Disse ela enquanto pulava.
- Nem sonhes! - Devia estar vermelha como um tomate.
- Vou cantar mais alto! - Ameaçou a elevar a voz.
- Ok, ok, ok. - Desisti e juntei-me a ela, como se diz, "quando não podes com eles, junta-te a eles".
Estávamos ambas a dançar e a cantar uma para a outra, olhei em redor e um círculo de pessoas estava a rodear-nos, algumas tinham camaras na mão, aquilo seria uma autêntica vergonha mas agora mais valia aproveitar o momento. Enquanto dançava vi que mais cinco ou seis pessoas também se juntaram a nós a dançar, parecia que estava a sonhar, visto de fora até parecia um flash mob. A música estava a chegar ao fim mas a loucura continuava, até que acabou. Olhei para ela e de repente comecei a ouvir aplausos, desviei o olhar e vi que toda a gente estava a sorrir para nós e para os restantes bailarinos.
- Agora podemos ir embora? - Perguntei extremamente envergonhada.
- És uma desmancha prazeres! Vamos lá. - Resmungou ela.
A Joana é mesmo assim, completamente maluca, é capaz de surpreender todos com as suas loucuras, como a dança no meio do aeroporto.
Cada uma pegou numa mala e fomos para o carro, arrumámos tudo na bagageira e seguimos caminho até à casa dela. Durante o percurso disse-me que ainda em Portugal tinha conhecido um ator, chamado Fábio Goa que também se preparava para embarcar e que até lhe tinha pedido uma fotografia, falou-me das férias dela e dos amigos de lá, depois perguntou-me pelo Marc e eu contei-lhe tudo com especial foco no almoço daquele dia.
Tínhamos chegado ao prédio, entrei na garagem e estacionei o carro no lugar reservado, cada apartamento dispunha de dois lugares, um deles já estava ocupado com o carro dela.
Tirámos as malas da bagageira, subimos pelo elevador, entrámos em casa e deixámos as coisas à entrada, sentei-me no sofá enquanto a Joana foi à casa de banho porque estava completamente aflita, ela não gosta de casas de banho públicas, liguei a televisão e comecei a fazer zapping.
O meu telemóvel apitou, recebi uma mensagem.

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De: Desconhecido
Para: Kate (Eu)
Assunto: Eu vi!

Grande espetáculo de canto e dança no aeroporto! Tu e a tua amiga, Joana, brilharam. Já pensaste concorrer a um programa de canto?
Mudando de assunto, é assim que eu gosto de te ver, a sorrir e a viver a vida, sem aquele rapaz que se encontra no outro canto no mundo. E por falar nisso, depois de tanto chorares por causa do Marc, chegou a hora dele ...

O teu protetor, um beijo.

junho 19, 2015

04. MARC

Lê aqui os anteriores!

04. MARC


De: Kate
Para: Marc (Eu)
Assunto: Está na hora!

Amor, eu estou pronta.

Até já, beijo.
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Pedi video-chamada e segundos depois ela atendeu. Estava simplesmente maravilhosa, um vestido branco sem mangas cobria-lhe o corpo, o cabelo estava perfeito e os seus olhos intensos.
- Marc, fecha a boca! - Disse ela a rir-se.
- Ah, desculpa, mas estás linda. - Respondi um pouco perdido pela aparência dela.
- Obrigada. E adoro o pormenor das velas aí. - Disse ela comovida.
- Vamos comer? - Perguntei com alguma fome.
- Sim claro. O que vais comer? - Inquiriu ela curiosa.
- Älplermagronen!
- Saúde. - riu-se. - O que é isso?
- É um gratinado de batatas com macarrão, queijo, creme de leite e cebola frita, acompanhado por puré de maçã. - Depois mostrei-lhe para poder ver melhor.
- Tem bom aspeto, quem me dera estar aí contigo para poder provar. - Disse ela um pouco cabisbaixa.
- Sabes que por enquanto não é possível, mas hoje não é dia para tristezas. E tu o que vais comer?
- Bem, foi a minha mãe que fez, Meatloaf misto com salada de legumes.
- Parece-me bem. Queres música de fundo para acompanhar esta refeição?
- Porque não ... - Nesse instante, mal ela acabou de falar eu sai da frente da camara e dirigi-me para a aparelhagem. - O que vais por a tocar?
Nessa mesma tarde, tinha estado a gravar umas músicas dos cantores que ela mais gostava para um CD, na maioria das músicas procurei a versão acústica, por ser mais calma. A primeira que começou a tocar foi "You & I" dos One Direction, quando olhei para a televisão ela estava a chorar. Fui para a frente da camara e perguntei-lhe se queria que eu parasse a música, ela disse que não era preciso e que só estava assim porque aquela era a nossa música, nesse momento só lhe queria tocar nos cabelos e sentir o seu cheiro, poder consolá-la e beijá-la.
Depois, quando ela se acalmou, continuámos a comer e a conversar sobre nós, os nossos dias e os nossos sentimentos. No final da refeição cada um despediu-se e desligámos com o desejo de poder tocar um no outro.
Mal desliguei a chamada, apareceu uma nova mensagem no e-mail.

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De: Desconhecido
Para: Marc (Eu)
Assunto: Quero que a deixes!

Devias ter vergonha, a rapariga estava com aquele vestido branco e maquilhada e tu com um simples pólo azul escuro, não a mereces. Quero que acabes tudo com a Kate, tu não és o rapaz certo para ela. Tens 48 horas!
E mais uma coisa, estou cansado de ver que deixas as pessoas a chorar por causa das tuas atitudes, talvez devas ser o próximo a chorar ...

O Juíz



Gostaste deste capítulo? Estás curioso(a)? O que achas que vai acontecer?

junho 18, 2015

03. KATE

aqui os anteriores!

03. KATE

De: Kate (Eu)

Para: Desconhecido
Assunto: Quem és tu?

Quem és tu? Como assim já me acompanhas à algum tempo? Como sabes que eu namoro com um rapaz que mora na Suiça? O meu protetor? Não sei quem és mas não estou a achar piada à brincadeira!
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Escrevi o email e enviei, devia ser alguma amiga a gozar, a seguir desliguei o computador e fui tomar um banho. Cinquenta minutos depois já estava com um vestido branco e penteada, só faltava maquilhar-me. Primeiro passei uma base de cor nude para corrigir as manchas e marcas do rosto, a seguir utilizei um batom vermelho que o Marc gostava, um blush discreto para me dar alguma cor às maças do rosto, um corretivo para disfarçar as olheiras, um eyeliner preto para fazer os olhos sobressair, um rímel para aumentar as pestanas e por fim uma sombra cinza claro para dar alguma profundidade e brilho ao olhar. Estava pronta para o nosso jantar.
- Mãe, podes vir aqui, por favor. - Pedi eu.
Ao longe ouvi uma resposta afirmativa, depois passos a aproximarem-se e por fim a minha mãe a entrar no quarto.
- Oh meu deus filha, estás linda. - Disse-me visivelmente espantada. - O Marc vai gostar muito.
Imediatamente corei e agradeci, eu raramente me vestia assim. É certo que gostava de me vestir bem e maquilhar, mas nunca tão detalhadamente.
- Mas o que querias? - Perguntou ela curiosa.
- Só queria a tua opinião! Não achas que esteja demasiado bem vestida? - Perguntei na dúvida.
- Achas? Tu estás perfeita e o Marc é bom rapaz, vai gostar de ver que te empenhaste neste dia. - Respondeu ela muito tranquilamente. A minha mãe sempre gostou do Marc e apoiou a nossa relação, é certo que no inicio foi um pouco complicado ver a filha a namorar com um rapaz à distância mas depois de o conhecer não se importou.
- Sim tens razão! Obrigada. - Disse-lhe eu convencida que ela tinha razão, como sempre.
- Mas bem, já está a ficar tarde para mim, vou ter com a Dianne, com a Alisha e com a Margret, vamos almoçar fora e depois às compras. Bom almoço filha. - Despediu-se ela, dando-me um beijo na testa antes de sair e fechar a porta.
Faltavam dez minutos para a vídeo-chamada com o Marc, tinha acabado de colocar a mesa, fui buscar o portátil ao quarto e liguei-o, nesse momento apareceu uma nova mensagem no email.

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De: Marc
Para: Kate (Eu)
Assunto: Está quase na hora ...

Estou quase pronto, não demoro muito. Já tenho o "restaurante" livre só para nós, ninguém nos vai interromper.

Até já, amo-te!



Gostaste deste capítulo? Estás curioso(a)?

junho 16, 2015

02. MARC

Se ainda não sabes o que é este texto, descobre aqui!

02. MARC

De: Marc (Eu)
Para: Kate 
Assunto: Combinado! 

Olá meu doce. 
Sim claro que fazemos vídeo-chamada! Vemo-nos ao almoço/jantar, mal posso esperar. Até já! 
Amo-te! 

O teu suíço. 
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- Marc deixa o computador. Vamos sair! - Gritava o meu irmão, entusiasmado, da sala. 
- Já te disse que hoje não posso Henri! - Respondia-lhe já cansado de tanta insistência. 
De repente a porta do quarto, que estava só encostada, foi empurrada para trás, o que me assustou um pouco. À minha frente, Henri encontrava-se de braços cruzados a olhar para mim. 
- Posso ao menos saber porque não queres ir sair? - Perguntou-me um pouco chateado. 
- Calma mano! É que hoje eu e a Kate fazemos oito meses de namoro e ... - Fui interrompido por ele. 
- Não vamos sair por causa de uma miúdinha que está noutro continente? - Questionou um pouco exaltado. 
Henri, nunca apoiou muito bem o meu amor com a Kate e tudo porque na opinião dele as relações à distância não resultam. O meu irmão, há dois anos atrás, teve uma relação semelhante à minha mas que acabou. Ele estava perdidamente apaixonado por ela e de um dia para o outro esta disse-lhe que já não o amava e que tinha começado a namorar com outro rapaz. O Henri demorou meses para ficar bem e desde aí nunca mais se apaixonou por alguém. Quando eu lhe contei, ao inicio ficou sem reação e depois disse que não concordava porque mais cedo ou mais tarde eu iria acabar por sofrer, agora já aceita um pouco melhor mas preferia que eu namorasse com alguém que estivesse perto de mim. 
Elevei um pouco a voz e olhei-o diretamente nos olhos. - Vê lá como falas da Kate! Eu já te disse que ela não é como a Alma ... 
Bolas, tinha feito asneira, tinha-lhe dito o nome da rapariga. É o que dá responder sem pensar no que digo. 
- Muito bem, tu é que sabes! Depois não digas que eu não te avisei. - Respondeu um pouco indefeso. A seguir saiu e bateu com a porta. 
Tinha de lhe pedir desculpa, não podia deixá-lo assim entregue aos seus pensamentos. Rapidamente levantei-me da secretária e fui atrás dele, Henri estava no seu quarto, abri a porta e quando entrei, vi-o ajoelhado no chão a chorar agarrado a uma fotografia de Alma, imediatamente ajoelhei-me junto dele e abracei-o. 
- Desculpa-me! Eu ... eu não fiz por mal. Desculpa-me! - Implorei. 
Tinha-me custado imenso ver o que tinha acontecido da outra vez, não queria voltar a vê-lo assim. Henri, com vinte e quatro anos, foi e é a minha única família desde a morte dos nossos pais. Ele é um pai, um irmão, um amigo, um conselheiro. Como é que eu posso tratá-lo assim? Ele soluçava e eu calei-me ficando só a abraçá-lo. Apesar dos cinco anos de diferença entre nós, somos como gémeos, temos uma ligação muito forte, mesmo à distância. 
Ele finalmente acalmou, pediu-me desculpa por ter falado assim da Kate, embora eu lhe tenha dito para esquecer, e disse-me que ia ao cinema com os amigos da universidade ver um novo filme de ação em 3D. Desejei-lhe uma noite divertida, depois saiu e deixou-me sozinho para me arranjar. 
Eram 19h48, já estava vestido, o computador ligado à televisão da sala de jantar para a ver num plano maior, e acabava de decorar a mesa como se tivéssemos mesmo num restaurante, lado a lado. Nesse momento o meu telemóvel tocou, era o som das notificações de e-mail. Devia ser a Kate, abri para ver. 

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De: Desconhecido 
Para: Marc (Eu)
Assunto: Apresentação 

Olá, tu ainda não me conheces, mas eu sei quem tu és! Hoje depois do que vi, decidi revelar-me e deixar só de observar. Como és capaz de fazer aquilo ao teu irmão? Como consegues deixa-lo sair de casa depois do que chorou? Achas que a Kate é a rapariga certa para ti? Enganas-te! A partir de hoje eu estou aqui a observar-te! Cuidado com as decisões que tomas. Tem um bom jantar e até breve. 

O Juíz. 


O que acharam deste segundo capítulo?

junho 13, 2015

01. KATE

Se ainda não sabes o que é, descobre aqui!


01. KATE

De: Kate (Eu)
Para: Marc 

Assunto: 8 meses ... 

Olá amor, faz hoje oito meses que nos conhecemos. Quando te vi naquele site nunca pensei que isto fosse acontecer comigo. Apaixonar-me por alguém em quem não consigo tocar todos os dias, alguém que está a um oceano de distância, alguém que mesmo tão longe está sempre aqui, apesar das seis horas de diferença horária entre Nova Iorque e Genebra conseguimos sempre arranjar tempo para nós. Tu és a pessoa que eu quero, nos bons e nos maus momentos que já tivémos, foste tu que sempre estiveste lá, és a minha alma gémea. Tu já sabes, mas eu volto a dizer ... AMO-TE! 

Daqui a pouco fazemos vídeo-chamada? 

A tua americana, beijo. 
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Tinha acabado de enviar a mensagem pelo tablet quando ouvi a minha mãe a chamar-me, esta estava com uma voz excitada e infantil. Quando me ia levantar do sofá, ela entrou pelo quarto, nas mãos trazia uma encomenda, uma caixa média, e o seu rosto esboçava um sorriso que ia de orelha a orelha. 
- É para ti, filha! - Disse-me ela ansiosa. - É do Marc, abre! 
Como? O Marc tinha-me enviado uma prenda? Fiquei a olhar para o tamanho da caixa e imediatamente pensei no dinheiro que ele tinha gasto por ter enviado aquilo, mas o que seria? A minha curiosidade estava a deixar-me louca, corri para a minha mãe, peguei na caixa e sentei-me na cama, com ela no colo. A minha mãe disse que depois queria ver o que ele enviara mas que agora ia deixar-me sozinha para a abrir, a seguir saiu. A caixa era um pouco pesada, tinha algum receio de a abrir e tudo porque ele nunca me tinha enviado nada tão grande e pesado. 
Abri a caixa e quando olhei para dentro desta reparei que continha várias coisas bem arrumadas para nada se estragar durante a viagem. A primeira coisa em que peguei foi numa pequena caixa de madeira, com formato de coração, achei extremamente romântico, quando a abri vi uma pen USB com uma fita de cetim vermelha em torno dela, a curiosidade disparou para saber o que estava lá dentro, mas continuei a ver o conteúdo da caixa. A próxima coisa em que peguei estava embrulhada num papel de corações, à primeira vista tinha o formato de um livro, quando abri o embrulho reparei que era um albúm de fotografias nossas, mesmo nunca tendo estado juntos, o trabalho era notável graças à forma como as imagens estavam escolhidas, fiquei emocionada e as lágrimas chegaram-me aos olhos. Por último, mas não menos importante, retirei da caixa um urso de peluche branco agarrado a um coração, cheirava bem, tinha o perfume do Marc, o pelo era macio e quando se apertava a pata ouvia-se "I love you!", sem dúvida que aquele rapaz era alguém maravilhoso e extremamente dedicado. Limpei as lágrimas do rosto e coloquei a pen USB no computador, o único ficheiro existente era um vídeo, curiosa abri-o. 
No vídeo apareceu o Marc com o seu sorriso rasgado, a acenar-me, começando logo depois. - Amo-te! Espero que tenhas gostado dos presentes que agora estão aí contigo, mas que neste vídeo ainda estão aqui comigo, o urso leva o meu perfume para me sentires perto de ti, como não te posso tocar, ao menos podes cheirar-me. Mas este vídeo para além de ser uma declaração de amor é um convite! Kate, aceitas jantar comigo via vídeo-chamada? Isto é, eu jantar e tu almoçares. Vou esperar a tua chamada às 14h daí, 20h daqui. Beijos e não te esqueças que és a mulher da minha vida. 
Este rapaz deixava-me completamente rendida aos seus encantos, pensei se lhe devia enviar outro e-mail ou agradecer na vídeo-chamada, optei pela segunda. Olhei para as horas e eram 11h43, tinha de me despachar, ainda estava de pijama e para almoçar com o meu amor, num dia importante tinha de estar bem vestida, maquilhada e com o banho tomado. Estava já a sair do quarto quando ouvi o som das notificações das mensagens, o Marc tinha-me enviado a resposta e voltei para junto do computador para ler imediatamente, quando abri o e-mail reparei que me tinha enganado e era alguém desconhecido.




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De: Desconhecido 
Para: Kate (Eu)
Assunto: Apresentação 

Olá, tu ainda não me conheces, mas eu sei quem tu és! Já te acompanho à algum tempo e hoje cansei-me de ver e calar. Como é posssível que ainda estejas com aquele suíço? Ele não é o rapaz certo para ti! Oito meses com um miúdo que mora noutro lado do mundo, a sério? Tu devias ter cuidado com as pessoas que te dás. Falamos em breve ... 

O teu protetor, um beijo.



O que acharam deste primeiro capítulo?

CYBER LOVE

A partir de hoje e nas próximas semanas irei publicar a minha história aqui no blog. Espero que gostem e que durante as publicações vão dando as vossas opiniões e sugestões.

Obra registada tendo todos os direitos reservados. Plágio é crime!
Sinopse:
"Cyber Love, a história de um amor virtual que irá mudar a vida de todos.
Ela está na Estados Unidos da América, ele na Suíça, ela vive com a mãe, ele com o irmão, ela chama-se Kate, ele Marc e ambos têm a internet que os une.
Numa relação à distância onde a partilha de informação devia ser restrita, quem é realmente o recetor? Numa troca digital de fotografias, números, moradas e sentimentos, quantos terão acesso a elas? Algum deles estará seguro?
Tudo mudou no dia em que ambos receberam uma mensagem de um desconhecido, "Olá, tu ainda não me conheces, mas eu sei quem tu és! Já te acompanho à algum tempo e hoje cansei-me de ver e calar. (...)".
A partir desse momento Kate e Marc entraram num jogo sem fim, onde as ordens são sempre para cumprir caso desejem o bem estar dos seus familiares e amigos."

O que acharam da ideia, da capa e da sinopse?